BC reduz projeção de crescimento do PIB para 2026 e piora estimativa do déficit em transações correntes
Relatório de Política Monetária também projeta expansão de apenas 1,4% para 2027

O Banco Central reduziu sua projeção de crescimento econômico para 2026, de 2,0% — estimados em junho — para 1,8%, segundo o Relatório de Política Monetária divulgado nesta quinta-feira (24). A autarquia também projeta expansão de apenas 1,4% do Produto Interno Bruto em 2027.
O PIB é o principal indicador usado para medir o tamanho e o ritmo de crescimento da economia de um país, somando tudo o que foi produzido em bens e serviços dentro de suas fronteiras num determinado período. Quando o Banco Central revisa essa projeção para baixo, significa que a autarquia passou a enxergar um ritmo de expansão mais fraco para a economia brasileira do que imaginava poucos meses atrás — um sinal, entre outros, de que o efeito da Selic ainda elevada sobre o crédito e o consumo das famílias segue pesando sobre a atividade.
A revisão do BC destoa da visão mais otimista do Ministério da Fazenda, que projetou nesta semana avanço de 2,0% para o PIB de 2026 e de 2,3% para 2027 — uma diferença relevante entre o órgão responsável pela política monetária e a equipe econômica do próprio governo, que tende a apresentar números mais favoráveis por razões também políticas, especialmente às vésperas de uma eleição presidencial. Já o mercado financeiro, medido pelo Boletim Focus — levantamento semanal do Banco Central que consolida as expectativas de dezenas de instituições financeiras e consultorias sobre os principais indicadores econômicos —, projeta crescimento de 1,88% neste ano e 1,43% em 2027, ficando mais próximo da visão mais cautelosa da própria autarquia monetária do que da estimativa do Ministério da Fazenda.
O Banco Central também piorou sua projeção para o resultado das transações correntes deste ano, passando a estimar déficit de US$ 60 bilhões, ante rombo de US$ 56 bilhões projetado em junho. Para 2027, a expectativa é de déficit de US$ 55 bilhões. As transações correntes medem o saldo entre tudo o que o Brasil recebe e tudo o que paga ao exterior em determinado período — incluindo comércio de bens e serviços, remessas de lucros e dividendos de empresas estrangeiras, e pagamento de juros sobre dívidas externas. Um déficit nessa conta significa que o país está gastando mais dólares com o exterior do que está recebendo, o que precisa ser compensado por entrada de capital estrangeiro, seja via investimento direto, seja via aplicações financeiras — e quanto maior esse déficit, maior a dependência do Brasil de atrair recursos de fora para manter suas contas externas equilibradas.
A piora simultânea nas duas projeções — menor crescimento e maior déficit externo — reforça o quadro já sinalizado por outros indicadores ao longo do segundo semestre, como a queda nas vendas do varejo, a deterioração da confiança do consumidor e do empresário industrial, e o próprio IBC-Br em recuo, todos apontando para uma economia brasileira perdendo fôlego num momento de juros ainda restritivos e de incerteza política crescente diante da proximidade das eleições de outubro.





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