Boletim Focus aponta aumento na Selic, estagnação e inflação elevada
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Alta de juros e avanço contínuo dos preços reforçam perda de dinamismo da economia brasileira nos próximos anos

O Relatório Focus resume as estatísticas calculadas considerando as expectativas de mercado coletadas até a sexta-feira anterior à sua divulgação. Ele é divulgado toda segunda-feira. O relatório traz a evolução gráfica e o comportamento semanal das projeções para índices de preços, atividade econômica, câmbio, taxa Selic, entre outros indicadores. As projeções são do mercado, não do Banco Central. (Fonte: bcb.gov.br)
INFLAÇÃO
A trajetória inflacionária segue em deterioração clara. Para 2026, a projeção do IPCA subiu para 4,80%, marcando a sexta alta consecutiva, após já ter avançado de 4,71% na semana anterior. O movimento reforça a incapacidade de contenção dos preços no médio prazo.
Para 2027, a estimativa também subiu, atingindo 3,99% na quarta alta seguida. Já para 2028, o índice permanece em 3,60% pela segunda semana consecutiva, enquanto 2029 segue travado em 3,50% há 33 semanas, indicando persistência inflacionária mesmo em horizontes mais longos.
No IGP-M, o cenário é ainda mais preocupante. Para 2026, a projeção saltou para 4,66%, acumulando a sétima alta consecutiva e uma forte aceleração em relação aos 3,86% da semana anterior. Para 2027, a estimativa permanece em 4,00% há nove semanas. Em 2028, o índice segue em 3,82%, enquanto 2029 permanece em 3,70%.
Os preços administrados também avançam, ampliando a pressão sobre o consumidor. Para 2026, a projeção subiu para 4,90% pela segunda semana consecutiva. Em 2027, permanece em 3,80%, enquanto 2028 e 2029 seguem estáveis em 3,50%, acumulando 21 e 40 semanas de estabilidade, respectivamente.
SELIC
A resposta monetária acompanha a deterioração inflacionária, com juros cada vez mais elevados. Para 2026, a projeção da taxa Selic subiu para 13,00% ao ano, registrando a primeira alta após um período sem alterações.
Em 2027, a estimativa também avançou, chegando a 11,00%. Para 2028, a taxa permanece em 10,00% há 13 semanas consecutivas, enquanto 2029 teve nova alta, passando de 9,75% para 9,88%. O cenário indica manutenção de um custo de crédito elevado por vários anos, dificultando investimentos e consumo.
PIB
O crescimento econômico segue praticamente paralisado. Para 2026, a projeção subiu marginalmente para 1,86%, ante 1,85% na semana anterior e 1,84% há quatro semanas, uma variação irrelevante diante dos desafios estruturais.
Para 2027, a estimativa permanece em 1,80% há 16 semanas consecutivas. Em 2028, o crescimento segue travado em 2,00% há 110 semanas, enquanto 2029 mantém o mesmo nível de 2,00%, estável há 57 semanas. O cenário consolida um horizonte prolongado de baixo dinamismo econômico.
CÂMBIO
Apesar de revisões pontuais para baixo, o câmbio segue em patamar elevado, refletindo fragilidade estrutural. Para 2026, a projeção do dólar recuou para R$ 5,30, após duas semanas de queda e abaixo dos R$ 5,40 estimados há quatro semanas.
Em 2027, a estimativa caiu para R$ 5,35, também pela segunda semana consecutiva. Para 2028, houve nova redução para R$ 5,40, enquanto 2029 recuou para R$ 5,45. Ainda assim, o real permanece projetado em níveis depreciados ao longo de todo o período.
O conjunto dos dados reforça um cenário de inflação persistente, juros elevados e crescimento insuficiente, limitando a capacidade de recuperação da economia brasileira e ampliando as dificuldades para empresas e famílias nos próximos anos.
