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Boletim Focus aponta inflação persistente, crescimento menor e juros elevados

Mercado reduz projeção para o PIB de 2027 e mantém expectativa de crédito caro por um longo período, enquanto a inflação segue distante de um cenário confortável


O Relatório Focus resume as estatísticas calculadas considerando as expectativas de mercado coletadas até a sexta-feira anterior à sua divulgação. Ele é divulgado toda segunda-feira. O relatório traz a evolução gráfica e o comportamento semanal das projeções para índices de preços, atividade econômica, câmbio, taxa Selic, entre outros indicadores. As projeções são do mercado, não do Banco Central. (Fonte: bcb.gov.br)

INFLAÇÃO


As expectativas para a inflação seguem apontando para um quadro de persistência das pressões sobre os preços.


A estimativa mediana dos economistas para a inflação medida pelo IPCA em 2026 caiu para 5,16%, ante os 5,30% projetados na semana anterior. Para 2027, a projeção do IPCA, índice oficial de inflação, subiu de 4,18% para 4,20%, reforçando que o mercado continua enxergando dificuldades para a convergência da inflação a níveis mais confortáveis. Em 2028, a estimativa permaneceu em 3,70%, patamar mantido há três semanas consecutivas. Já para 2029, a projeção permaneceu em 3,50%, acumulando 45 semanas sem alterações.


No caso do IGP-M, a expectativa para 2027 permaneceu em 4,10%, após as altas registradas nas semanas anteriores. Para 2028, a projeção recuou de 3,85% para 3,82%, enquanto para 2029 a estimativa continuou em 3,77%, estável há quatro semanas.


Os preços administrados continuam indicando pressão sobre itens essenciais para as famílias. Para 2027, a projeção ficou em 3,85%, após o recuo observado na semana anterior. Para 2028, a expectativa permaneceu em 3,50%, estável há três semanas. Já para 2029, a projeção também foi mantida em 3,50%, acumulando 52 semanas consecutivas de estabilidade.


PIB


As perspectivas para o crescimento econômico continuam modestas e mostram novo enfraquecimento nas expectativas de médio prazo.


Para 2026, a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) foi mantida em 1,99%, indicando que o mercado continua prevendo uma expansão limitada para a economia brasileira. Para 2027, a projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) recuou de 1,69% para 1,65%, reforçando a percepção de uma economia com baixíssimo dinamismo. Para 2028, o mercado manteve a expectativa de crescimento em 2,00%, projeção que permanece inalterada há 122 semanas consecutivas. Em 2029, a estimativa também continuou em 2,00%, estável há 69 semanas.


CÂMBIO


As projeções para o câmbio continuam refletindo uma expectativa de real depreciado nos próximos anos.


Para 2026, a projeção para o dólar foi mantida em R$ 5,20, sinalizando que o mercado continua trabalhando com uma moeda brasileira desvalorizada. Para 2027, a previsão para o dólar permaneceu em R$ 5,28, acumulando duas semanas consecutivas de estabilidade após as revisões anteriores. Em 2028, a estimativa recuou levemente de R$ 5,35 para R$ 5,34. Já para 2029, a projeção permaneceu em R$ 5,40, estável há quatro semanas.


SELIC


A política monetária continua sendo marcada pela expectativa de juros elevados durante um longo período, mantendo o custo do crédito em níveis elevados.


Para 2026, a projeção para a taxa Selic permaneceu em 14,00% ao ano, mantendo a expectativa de uma conjuntura de crédito restritivo e de elevado custo para famílias e empresas. Para 2027, a projeção da taxa Selic permaneceu em 12,00% ao ano, acumulando quatro semanas consecutivas sem alterações. Em 2028, a expectativa foi mantida em 10,50%, estável há duas semanas. Já para 2029, a projeção continuou em 10,00% ao ano, permanecendo inalterada há dez semanas consecutivas.


A combinação de crescimento enfraquecido, inflação resistente e juros elevados continua limitando as perspectivas de expansão da economia brasileira, aumentando a cautela entre investidores e reduzindo as expectativas de melhora significativa nos próximos anos.




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