Boletim Focus expõe cenário econômico frágil e prolonga incertezas para o Brasil
- Núcleo de Notícias

- 22 de dez. de 2025
- 3 min de leitura
Mesmo com ajustes pontuais, projeções indicam inflação resistente, crescimento limitado e câmbio pressionado nos próximos anos

O Relatório Focus resume as estatísticas calculadas considerando as expectativas de mercado coletadas até a sexta-feira anterior à sua divulgação. Ele é divulgado toda segunda-feira. O relatório traz a evolução gráfica e o comportamento semanal das projeções para índices de preços, atividade econômica, câmbio, taxa Selic, entre outros indicadores. As projeções são do mercado, não do Banco Central. (Fonte: bcb.gov.br)
INFLAÇÃO
Para 2025, a projeção do IPCA foi levemente reduzida, passando de 4,36% para 4,33%. Apesar do recuo, o índice segue acima do centro da meta, evidenciando a dificuldade do país em ancorar expectativas inflacionárias de forma consistente.
O cenário à frente pouco melhora. Em 2026, a estimativa caiu para 4,06%, na quinta semana consecutiva de redução, mas ainda permanece em patamar elevado. Para 2027, a projeção segue estacionada em 3,80%, sem alterações há pelo menos sete semanas, sinalizando estagnação no processo de convergência inflacionária.
No caso do IGP-M, o dado reforça o ambiente de distorções econômicas. A expectativa para 2025 passou a indicar deflação de 0,74%, um recuo mais intenso do que o projetado anteriormente (-0,65%), acumulando quinze semanas consecutivas de queda. Para 2026, a projeção foi ajustada de 4,00% para 3,99%, enquanto em 2027 permaneceu em 4,00%.
Já os preços administrados pelo governo seguem pressionados. Para 2025, a expectativa caiu marginalmente de 5,34% para 5,32%. Em 2026, houve novo recuo, de 3,75% para 3,71%, na terceira semana seguida de queda. Em 2027, no entanto, a estimativa subiu de 3,60% para 3,70%, interrompendo quatro semanas de estabilidade e indicando risco adicional à inflação futura.
PIB
O crescimento econômico projetado para 2025 foi ajustado de forma quase simbólica, passando de 2,25% para 2,26%. O número segue distante de um ritmo capaz de sustentar ganhos estruturais de renda e produtividade.
Para 2026, a expectativa permanece estagnada em 1,80%, sem alterações nas últimas duas semanas. Em 2027, houve leve deterioração, com recuo de 1,83% para 1,81%, reforçando a percepção de desaceleração prolongada e ausência de motores sólidos de crescimento no médio prazo.
CÂMBIO
O câmbio segue refletindo a perda de confiança na economia brasileira. O dólar deve encerrar 2025 em R$ 5,43, acima da projeção anterior de R$ 5,40. Para 2026 e 2027, o mercado mantém a expectativa de R$ 5,50, indicando um real estruturalmente enfraquecido e pouca perspectiva de reversão desse quadro no horizonte analisado.
SELIC
A política monetária continua operando sob forte pressão. Para 2026, a projeção da taxa Selic subiu de 12,13% para 12,25%, reforçando a percepção de juros elevados por mais tempo. Para 2027, a estimativa permanece em 10,50%, patamar ainda alto e compatível com um ambiente de crescimento limitado e risco fiscal persistente.
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Carlos Dias.
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