Boletim Focus: PIB desaba e expõe fragilidade mais profunda da economia brasileira
Relatório desta segunda-feira (14) mostra queda generalizada nas projeções de crescimento

O Relatório Focus resume as estatísticas calculadas considerando as expectativas de mercado coletadas até a sexta-feira anterior à sua divulgação. Ele é divulgado toda segunda-feira. O relatório traz a evolução gráfica e o comportamento semanal das projeções para índices de preços, atividade econômica, câmbio, taxa Selic, entre outros indicadores. As projeções são do mercado, não do Banco Central. (Fonte: bcb.gov.br)
INFLAÇÃO
A queda do IPCA de 2026 não se espalha pelos demais horizontes. A projeção recuou pela terceira semana consecutiva, de 5,00% para 4,90%, segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (14). Para 2027, porém, o quadro piorou: a estimativa subiu de 4,29% para 4,30%, reforçando a trajetória de alta que já se arrasta por semanas nesse horizonte. Para 2028, a projeção permaneceu em 3,80%, e para 2029 continuou em 3,50% — ambos travados, sem qualquer sinal de melhora adicional no médio e longo prazo.
O IGP-M reverte parte da melhora recente: a projeção para 2026 saltou de 4,34% para 4,54%. Para 2027, a estimativa ficou em 4,11%. Para 2028, houve nova alta, de 3,91% para 3,92%, e para 2029 a mediana continuou em 3,81%, sem melhora.
Os preços administrados trazem um respiro parcial em 2026, com a projeção caindo de 4,71% para 4,61%, mas o alívio já se dissipa em 2027: a estimativa subiu de 3,79% para 3,85%. Para 2028 e 2029, as previsões permaneceram em 3,61% e 3,50%, respectivamente, sem avanço.
PIB
O crescimento da economia sofreu o revés mais grave da semana, com quedas em praticamente todos os horizontes projetados — um sinal de que a fragilidade da atividade econômica é mais profunda do que se imaginava. A mediana para 2026 caiu de 1,93% para 1,89%. Para 2027, o recuo foi ainda mais expressivo, de 1,50% para 1,45%, reforçando que nem mesmo o ano seguinte deve trazer alívio. Para 2028, a piora foi a maior de todas, com a previsão caindo de 1,96% para 1,87%. Apenas para 2029 a mediana permaneceu em 2,00%, mas o patamar geral revisado para baixo em quase toda a série deixa claro que o país segue distante de um ciclo de crescimento.
CÂMBIO
O dólar segue caro no curto prazo e piora no horizonte mais distante. A projeção para o fim de 2026 permaneceu em R$ 5,20, pela 13ª semana consecutiva. Para 2027, houve queda pontual, de R$ 5,30 para R$ 5,28. Para 2028, a estimativa permaneceu em R$ 5,30, mas para 2029 a previsão piorou, subindo de R$ 5,35 para R$ 5,36 — confirmando que a moeda brasileira segue desvalorizada persistentemente até o fim da década.
SELIC
Os juros seguem travados em patamar elevado. A projeção para 2026 permaneceu em 13,75% ao ano, pela sexta semana consecutiva. Para 2027, a mediana continuou em 12,00%, após 13 semanas sem alteração. A previsão para 2028 permaneceu em 10,50%, e a estimativa para 2029 continuou em 10,00% — uma imobilidade que reforça o diagnóstico de que o custo do crédito deve seguir elevado por um longo período, mesmo com a atividade econômica dando sinais cada vez mais claros de enfraquecimento.





Comentários