Boletim Focus: projeções indicam fragilidade da economia brasileira
- Núcleo de Notícias

- 8 de dez. de 2025
- 3 min de leitura
Mesmo com pequenos ajustes, o cenário geral continua marcado por estagnação, câmbio pressionado e inflação longe do ideal, indicando um ciclo prolongado de incertezas

O Relatório Focus resume as estatísticas calculadas considerando as expectativas de mercado coletadas até a sexta-feira anterior à sua divulgação. Ele é divulgado toda segunda-feira. O relatório traz a evolução gráfica e o comportamento semanal das projeções para índices de preços, atividade econômica, câmbio, taxa Selic, entre outros indicadores. As projeções são do mercado, não do Banco Central. (Fonte: bcb.gov.br)
INFLAÇÃO
As previsões de inflação para 2025 recuaram levemente, mas o movimento não altera o quadro geral de desconfiança sobre a trajetória econômica do país. A mediana do IPCA passou de 4,43% para 4,40% pela quarta semana consecutiva, mas ainda sinaliza um custo de vida persistentemente elevado para o próximo ano.
Os preços administrados, que tradicionalmente exercem forte pressão inflacionária, registraram nova alta: de 5,18% para 5,25%, completando seis semanas de avanço e reforçando a deterioração estrutural dos preços controlados pelo governo.
Para os anos seguintes, o comportamento também não inspira otimismo.
Em 2026, o IPCA caiu discretamente de 4,17% para 4,16%, terceira semana seguida de baixa, mas ainda longe do centro da meta. Para 2027, segue em 3,80% pela quinta semana, enquanto 2028 mantém 3,50% pela quinta divulgação consecutiva.
O IGP-M, usado em contratos e aluguéis, aponta instabilidade prolongada. Em 2025, caiu de –0,57% para –0,61%, completando 13 semanas de queda. As previsões para 2026 e 2027 permanecem em 4,00% por longos períodos de estabilidade (duas semanas e 47 semanas, respectivamente). Em 2028, a projeção permanece em 3,85%.
CÂMBIO
O câmbio segue como um dos principais focos de preocupação. Para 2025, o dólar permanece projetado em R$ 5,40, sem qualquer alívio nas últimas três semanas.
Para 2026, a estimativa segue em R$ 5,50 há oito semanas, indicando um mercado que já não espera valorização do real. O cenário se repete em 2027 e 2028, ambos com projeções de R$ 5,50 há seis semanas.
Essa estabilidade artificial revela mais estagnação do que confiança: o mercado não vê motivo para revisar expectativas diante do quadro fiscal frágil e da falta de clareza sobre a condução econômica do governo.
PIB
As projeções de crescimento seguem anêmicas, mesmo com microajustes semanais que pouco alteram o cenário de baixo dinamismo econômico.
Para 2025, houve leve aumento na mediana do PIB, de 2,16% para 2,25%, mas o avanço não representa melhora estrutural e convive com um ambiente geral de desconfiança.
Em 2026, a projeção subiu de 1,78% para 1,80%, mas ainda indica um país preso a um ciclo de crescimento mínimo. Em 2027, a estimativa foi de 1,83% para 1,84%. Para 2028, os economistas mantêm expectativa de 2,00% por 91 semanas consecutivas, algo que demonstra ausência de fatores novos capazes de impulsionar o país.
SELIC
A política monetária também reflete a deterioração da economia. Para 2025, a taxa Selic foi mantida em 15% ao ano, patamar que evidencia a dificuldade do Brasil em controlar a inflação sem comprometer ainda mais o crescimento.
Para 2026, o Focus voltou a elevar a projeção: de 12,00% para 12,25%, primeira alta recente e um sinal claro de que o mercado vê maior risco fiscal e inflacionário à frente.
A mediana para 2027 permanece em 10,50% há 43 semanas, enquanto 2028 mantém projeção de 9,50%.
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Carlos Dias.
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