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Boletim Focus reforça deterioração econômica com inflação persistente e juros elevados

  • há 7 minutos
  • 2 min de leitura

Mercado vê pressão crescente nos preços, crédito caro por mais tempo e economia incapaz de acelerar crescimento



O Relatório Focus resume as estatísticas calculadas considerando as expectativas de mercado coletadas até a sexta-feira anterior à sua divulgação. Ele é divulgado toda segunda-feira. O relatório traz a evolução gráfica e o comportamento semanal das projeções para índices de preços, atividade econômica, câmbio, taxa Selic, entre outros indicadores. As projeções são do mercado, não do Banco Central. (Fonte: bcb.gov.br)


INFLAÇÃO


A inflação segue avançando sem sinais concretos de desaceleração. Para 2026, a projeção do IPCA subiu de 4,89% para 4,91%, acumulando nove semanas consecutivas de alta. O movimento evidencia uma deterioração contínua das expectativas inflacionárias.


Para 2027, a estimativa permaneceu em 4,00% pela segunda semana seguida, mantendo um patamar elevado. Em 2028, a projeção ficou estável em 3,64%, enquanto para 2029 segue em 3,50% há 36 semanas consecutivas, consolidando um horizonte prolongado de inflação resistente.


No IGP-M, o cenário é ainda mais preocupante. Para 2026, a projeção avançou de 5,50% para 5,60%, registrando a décima alta consecutiva. Para 2027, a estimativa permanece em 4,00% há 12 semanas. Em 2028, houve leve recuo de 3,83% para 3,82%, enquanto 2029 segue em 3,70% pela quarta semana consecutiva.


Os preços administrados também continuam pressionando a economia. Para 2026, a projeção subiu de 4,98% para 5,01%. Em 2027, a expectativa permanece em 3,80% pela quarta semana seguida. Já para 2028 e 2029, as estimativas seguem em 3,50%, acumulando 24 e 43 semanas consecutivas de estabilidade.


PIB


O crescimento econômico segue praticamente estagnado. Para 2026, a projeção do PIB foi mantida em apenas 1,85% pela segunda semana consecutiva, evidenciando a dificuldade da economia brasileira em ganhar tração.


Em 2027, a estimativa subiu marginalmente de 1,75% para 1,76%, uma variação insuficiente para alterar o cenário de baixo dinamismo. Já para 2028 e 2029, o mercado mantém projeções de crescimento em 2,00%, estáveis há 113 e 60 semanas consecutivas, respectivamente.


CÂMBIO


O câmbio apresentou novos recuos pontuais, mas segue em patamar elevado. Para 2026, a projeção do dólar caiu de R$ 5,25 para R$ 5,20.


Em 2027, a expectativa permaneceu em R$ 5,30. Para 2028, os analistas reduziram a projeção de R$ 5,39 para R$ 5,35, na segunda queda consecutiva. Já para 2029, a estimativa permaneceu em R$ 5,40. Apesar das revisões, o real continua projetado em níveis depreciados no longo prazo.


SELIC


Os juros seguem elevados e a perspectiva piorou para os próximos anos. Para 2026, a projeção da taxa Selic foi mantida em 13,00% ao ano pela terceira semana consecutiva.


Já para 2027, a expectativa subiu de 11,00% para 11,25%, marcando a primeira alta após um período de estabilidade e reforçando a percepção de juros altos por mais tempo. Em 2028, a estimativa permanece em 10,00% há 16 semanas consecutivas. Para 2029, a projeção também segue em 10,00%.


O conjunto das projeções consolida um cenário de inflação persistente, crescimento fraco e custo elevado do crédito, limitando investimentos, reduzindo a capacidade de expansão da economia e pressionando ainda mais o poder de compra da população.



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