Boletim Focus sinaliza agravamento das expectativas com inflação mais alta e nova escalada dos juros
- Núcleo de Notícias
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Mercado prevê preços ainda mais pressionados, crédito mais caro e recuperação econômica incapaz de compensar o aumento das incertezas

O Relatório Focus resume as estatísticas calculadas considerando as expectativas de mercado coletadas até a sexta-feira anterior à sua divulgação. Ele é divulgado toda segunda-feira. O relatório traz a evolução gráfica e o comportamento semanal das projeções para índices de preços, atividade econômica, câmbio, taxa Selic, entre outros indicadores. As projeções são do mercado, não do Banco Central. (Fonte: bcb.gov.br)
INFLAÇÃO
As expectativas inflacionárias continuam se deteriorando de forma consistente. Para 2026, a projeção do IPCA subiu de 5,11% para 5,30%, registrando a 14ª alta consecutiva. O movimento demonstra que o mercado segue enxergando dificuldades crescentes para controlar a inflação.
Para 2027, a estimativa avançou de 4,03% para 4,10%, acumulando a quarta elevação seguida. Em 2028, a expectativa passou de 3,65% para 3,68%, marcando a primeira alta após um período de estabilidade. Já para 2029, a projeção permaneceu em 3,50%, patamar mantido há 41 semanas consecutivas.
O IGP-M também apresentou nova deterioração. Para 2026, a projeção avançou de 6,10% para 6,22%, registrando a 15ª alta consecutiva. Para 2027, a estimativa passou de 4,00% para 4,04%, na primeira alta após um período de estabilidade. Em 2028, a projeção permaneceu em 3,82% pela quinta semana consecutiva. Já para 2029, houve avanço de 3,70% para 3,77%, configurando a primeira elevação do período.
Nos preços administrados, a expectativa para 2026 subiu de 4,98% para 5,00%, reforçando a pressão sobre itens controlados pelo governo. Para 2027, a projeção recuou de 3,84% para 3,81%. Em 2028, a estimativa avançou de 3,50% para 3,60%. Já para 2029, a projeção permaneceu em 3,50%, estável há 48 semanas consecutivas.
PIB
Apesar de uma leve melhora nas projeções para 2026, o crescimento esperado continua pífio e distante do necessário para impulsionar de forma significativa a economia brasileira.
Para 2026, a expectativa de crescimento do PIB passou de 1,91% para 1,96%. O percentual permanece baixo para uma economia que enfrenta desafios fiscais, inflação persistente e juros elevados.
Para 2027, a projeção foi mantida em apenas 1,70% pela terceira semana consecutiva. Já para 2028 e 2029, as estimativas seguem em 2,00%, estáveis há 118 e 65 semanas, respectivamente, reforçando um horizonte prolongado de crescimento limitado.
CÂMBIO
As expectativas para o dólar voltaram a subir, sinalizando maior cautela do mercado em relação ao comportamento da moeda brasileira.
Para 2026, a projeção avançou de R$ 5,15 para R$ 5,20. Em 2027, a expectativa passou de R$ 5,20 para R$ 5,25. Para 2028, a estimativa permaneceu em R$ 5,30 pela terceira semana consecutiva. Já para 2029, a projeção subiu de R$ 5,35 para R$ 5,40.
O movimento interrompe a sequência de revisões para baixo observada anteriormente e reforça a percepção de que o real continuará operando em patamares fragilizados nos próximos anos.
SELIC
O cenário mais preocupante do relatório está na trajetória dos juros. O mercado voltou a elevar de forma expressiva as projeções para a taxa Selic, indicando que o combate à inflação poderá exigir condições monetárias restritivas por um período ainda mais longo.
Para 2026, a expectativa para a Selic subiu de 13,50% para 13,75% ao ano, na segunda alta consecutiva. Para 2027, a projeção avançou de 11,50% para 12,00%, também registrando a segunda elevação seguida.
Em 2028, a estimativa passou de 10,00% para 10,25%, indicando que mesmo no longo prazo os juros deverão permanecer em níveis elevados. Já para 2029, a projeção foi mantida em 10,00% ao ano pela sexta semana consecutiva.
O conjunto das projeções reforça uma conjuntura econômica marcada por inflação persistente, aumento das expectativas para os juros, dólar mais caro e crescimento insuficiente. A combinação desses fatores tende a dificultar a expansão da atividade econômica, elevar o custo do crédito e prolongar os desafios enfrentados por famílias e empresas brasileiras.
