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Davi Alcolumbre e o exercício explícito do cinismo político

Senador afirma que o Congresso “criou um ambiente mais favorável para quem empreende”




Durante a cerimônia de abertura do ano legislativo de 2026, o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmou que 2025 teria sido marcado por decisões fundamentais e por avanços em agendas estruturantes, atribuindo ao Congresso Nacional o mérito de ter “criado um ambiente mais simples, previsível e favorável para quem empreende”. A declaração, todavia, colide frontalmente com os dados econômicos mais recentes, que expõem um cenário adverso sobre a atividade produtiva no país.


Longe do “ambiente favorável ao empreendedorismo”, o Brasil encerrou 2025 com uma das maiores cargas tributárias efetivas já registrada em sua história, reflexo direto da política fiscal expansionista adotada pelo governo Lula e avalizada pelo Congresso por meio da aprovação do novo arcabouço fiscal e da reforma tributária. O resultado foi um Estado ainda mais centralizador, ávido por arrecadação, que transferiu para empresas, trabalhadores e consumidores o custo de um modelo incapaz de controlar seus próprios gastos.


A deterioração fiscal condicionou o Banco Central do Brasil a adotar uma política monetária severamente contracionista, com a taxa Selic fixada em 15% ao ano. O nível dos juros encareceu drasticamente o crédito, restringiu investimentos, travou o consumo e comprometeu a expansão de setores fundamentais da economia, como a indústria, os serviços e o agronegócio. O empresariado passou a operar sob incerteza permanente, pressionado por custos financeiros elevados.


A inflação persistentemente acima da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional reforça o descompasso entre o discurso oficial e a realidade econômica do Brasil. O aumento generalizado dos preços corrói o poder de compra da população e deixa claro que a combinação entre aumento de impostos e expansão de gastos públicos não produziu estabilidade, e sim onerou a população.


No front fiscal, a dívida pública brasileira atingiu o patamar recorde de aproximadamente R$ 10 trilhões em 2025, enquanto o pagamento de juros superou R$ 1 trilhão no mesmo período, drenando recursos que poderiam ser destinados a investimentos produtivos. O setor público consolidado fechou o ano com resultado primário negativo de R$ 55,021 bilhões, desmontando qualquer narrativa de responsabilidade fiscal associada às medidas aprovadas pelo Legislativo.


O desempenho do Produto Interno Bruto também expõe a fragilidade do modelo adotado. O crescimento em torno de 2% em 2025 ficou muito aquém do potencial da economia brasileira e foi sustentado, em grande medida, por estímulos artificiais decorrentes do aumento dos gastos governamentais, e não por ganhos estruturais de produtividade, consumo das famílias, investimento privado ou expansão sustentável do setor produtivo.


Diante desse quadro, o discurso do senador Davi Alcolumbre não é apenas equivocado, é um exercício explícito de cinismo político. Falar em “ambiente favorável ao empreendedorismo” enquanto o brasileiro paga mais impostos do que nunca, enfrenta juros proibitivos, inflação fora de controle, dívida pública recorde e crescimento medíocre expõe sua falsidade deliberada. Trata-se de uma tentativa de enganar a sociedade, mascarando o fracasso de um Congresso que se ajoelhou ao projeto centralizador do PT e entregou menos liberdade econômica, mais Estado, mais endividamento e um país travado, empobrecido e sem horizonte claro de prosperidade.


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