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Dívida pública federal salta R$ 200 bilhões em um mês e pode chegar a R$ 10,3 trilhões até dezembro

Estoque da Dívida Pública Federal passou de R$ 8,64 trilhões em janeiro para R$ 8,84 trilhões em fevereiro, impulsionado por R$ 73,87 bilhões em juros apropriados no período



O Tesouro Nacional divulgou na quinta-feira (26) que o estoque da Dívida Pública Federal saltou de R$ 8,64 trilhões em janeiro para R$ 8,84 trilhões em fevereiro, uma alta de 2,31% em apenas um mês. O principal motor do crescimento foi a apropriação de juros, que somou R$ 73,87 bilhões no período, valor que por si só é maior do que o orçamento anual de diversos ministérios e ilustra com precisão o custo que a má gestão fiscal impõe ao contribuinte brasileiro.


O número já seria preocupante isoladamente, mas ganha contornos ainda mais graves quando projetado para o fim do ano. O próprio governo federal reconhece que a dívida pública poderá atingir R$ 10,3 trilhões até dezembro, o que representaria um salto de aproximadamente R$ 1,7 trilhão em doze meses. Para efeito de comparação, esse incremento anual supera o orçamento total de saúde e educação do país somados, recursos que crescem na dívida sem entregar nenhum serviço público em troca.


Entre os maiores detentores da Dívida Pública Federal estão as instituições financeiras, com 31,8% do total, seguidas pela Previdência Social, com 22,6%, e pelos fundos de investimento, com 21,6%. A concentração nas mãos do sistema financeiro significa que boa parte dos juros pagos pelo Tesouro flui diretamente para bancos e instituições que emprestam ao governo a taxas que o próprio governo mantém elevadas por necessidade de financiamento. É um ciclo que se retroalimenta: o Estado gasta mais do que arrecada, precisa se endividar, paga juros altos para atrair credores e, com isso, garante que a dívida cresça.


O quadro é agravado pelo contexto atual. Com a Selic em 14,75% ao ano e o Banco Central sinalizando que os juros permanecerão elevados por mais tempo em função da guerra no Oriente Médio e de suas pressões inflacionárias, o custo de carregamento da dívida seguirá alto ao longo de 2026. Cada ponto percentual a mais na taxa básica de juros representa dezenas de bilhões adicionais de despesa financeira para o Tesouro, num círculo vicioso que penaliza a população duas vezes: uma na forma de crédito caro, e outra na forma de menos espaço fiscal para investimentos produtivos.


Nem a arrecadação recorde anunciada nesta semana, que bateu o maior resultado da história para um mês de fevereiro, não é suficiente para estancar esse sangramento. Enquanto os gastos obrigatórios crescem, os subsídios se multiplicam e a estrutura de incentivos do governo favorece o aumento de despesas em ano eleitoral, a dívida seguirá sua trajetória ascendente, independentemente de quanto o fisco consiga extrair da economia.




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