Fed mantém juros em decisão dividida e afirma que inflação "está elevada" pela guerra
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Taxa de juros americanos permanecem entre 3,5% e 3,75% na última reunião de Jerome Powell como presidente do Banco Central

O Comitê Federal de Mercado Aberto manteve nesta quarta-feira (29) a taxa de juros americana no intervalo entre 3,5% e 3,75%, conforme amplamente esperado pelo mercado, mas a decisão revelou divisão interna mais profunda do que o resultado sugere à primeira vista. Foram 8 votos favoráveis à manutenção e 4 contrários, com a oposição dividida em dois grupos com posições opostas, sinalizando que o Fed enfrenta pressões simultâneas de quem quer cortar juros e de quem quer mantê-los nos níveis atuais.
O diretor Stephen Miran, nomeado pelo presidente Donald Trump, votou por redução imediata de 0,25 ponto percentual, na direção que o presidente americano vem defendendo publicamente. No outro extremo, três membros votaram pela manutenção da taxa mas rejeitaram a inclusão de trecho considerado dovish no comunicado, sinalizando preocupação com o risco de inflação e resistência a qualquer sinalização de cortes futuros num ambiente de preços elevados.
O comunicado trouxe duas alterações relevantes em relação ao documento de março. O Comitê passou a afirmar que "a inflação está elevada", mudança de linguagem em relação à formulação anterior de "um pouco elevada", atribuindo explicitamente o movimento ao "recente aumento nos preços globais de energia" decorrente da guerra no Oriente Médio. A segunda mudança foi a ênfase dada ao conflito como principal fonte de "nível elevado de incerteza das projeções econômicas."
A reunião marca o encerramento do ciclo de Jerome Powell no comando do Fed. Esta foi sua última presidência do FOMC antes de ser substituído por Kevin Warsh, cujo nome foi aprovado pelo Comitê Bancário do Senado nesta mesma manhã e deve ser referendado pelo plenário republicano sem dificuldades nas próximas semanas. Kevin Warsh assume em 16 de maio num cenário de inflação levemente acima da meta, petróleo acima de US$ 100 e um comitê internamente dividido sobre a direção da política monetária.




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