FMI corta projeção de crescimento do Brasil para 2,2% em 2026 e 1,9% em 2027, abaixo da média da América Latina
Segundo o relatório, desemprego deve subir de 6% em 2025 para 6,8% em 2027

O Fundo Monetário Internacional reduziu as projeções de crescimento da economia brasileira para este ano e para o próximo. No relatório Panorama Econômico Mundial de outubro, intitulado “Resiliência sob pressão, escolhas urgentes”, a estimativa de expansão do PIB em 2026 caiu de 2,4%, no documento de julho, para 2,2%. Para 2027, a previsão passou de 2,2% para 1,9%, o que indica desaceleração do ritmo de um ano para o outro.
O mercado de trabalho também deve sentir o efeito. O FMI projeta que a taxa de desemprego suba de 6% em 2025 para 6,2% neste ano e para 6,8% em 2027. A comparação regional agrava o quadro: a América Latina e o Caribe devem crescer 2,3% em 2026 e 2,5% em 2027, de modo que o Brasil fica abaixo da média nos dois anos e, enquanto a região deve ter recuperação moderada em 2027, o país segue na direção contrária, perdendo velocidade.
Segundo o fundo, a desaceleração entre 2026 e 2027 reflete juros altos, retirada de estímulos fiscais e incerteza global. O relatório trata também do choque nos preços de energia, que produz efeitos distintos na região, com ganhos para exportadores de commodities e perdas para importadores de energia, e observa que, na maior parte dos países, o impulso do setor de tecnologia compensa pouco.
A causa de fundo da perda de ritmo do Brasil, porém, está na política fiscal do governo Lula. Os juros restritivos citados pelo fundo não surgem do nada. A Selic está em 13,75% ao ano, entre as mais altas do mundo, e a própria ata do Copom alertou que a perda de disciplina fiscal, a expansão do crédito direcionado e as incertezas sobre a trajetória da dívida podem elevar a taxa de juros neutra da economia, ou seja, o patamar de juros necessário para segurar a inflação. Quando o governo gasta mais do que arrecada, o Banco Central precisa manter o crédito caro por mais tempo, e quem paga a conta são as famílias, as empresas e o emprego.
Os números do ano mostram a dimensão do problema. O governo central acumula déficit primário de R$ 94,9 bilhões em oito meses de 2026, a dívida bruta chegou a 82,9% do PIB em agosto, e a inflação em 12 meses, de 4,58%, está acima do teto da meta. Mesmo assim, a gestão petista anunciou, a poucas semanas da eleição, reajuste de 15% no Bolsa Família, com custo de R$ 22,7 bilhões em 2027, e um pacote de R$ 5,2 bilhões para combustíveis, acompanhado de crédito extraordinário de R$ 7,52 bilhões. A menção do FMI à retirada de estímulos fiscais diz respeito justamente à conta de um período de gastos financiados por dívida, que agora cobra seu preço em juros altos e crescimento menor.
Há ainda um sinal de que o quadro pode ser pior do que o desenhado pelo fundo. O Banco Central projeta alta de 1,8% do PIB em 2026, e a pesquisa Focus indica 1,88%, ambos abaixo dos 2,2% do FMI, enquanto o consumo das famílias, segundo a autoridade monetária, deve crescer apenas 1,2%. O recado dos números é que o país cresce menos do que seus vizinhos porque o governo gasta mais do que pode, e a economia sustenta esse custo com crédito caro, inadimplência recorde e desemprego em alta.





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