FMI corta projeção de crescimento global para 3% em 2026 e eleva inflação para 4,7%
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- há 2 dias
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Escalada no Estreito de Ormuz pode piorar ainda mais o cenário; horas antes da divulgação do relatório, Trump declarou que o acordo com o Irã "acabou"

O Fundo Monetário Internacional reduziu nesta quarta-feira (8) a projeção de crescimento do PIB global de 2026 de 3,1% para 3%, na atualização de julho do relatório de Perspectivas Econômicas Globais, revisando simultaneamente para cima a projeção de inflação global de 4,4% para 4,7%. O dinamismo projetado segue inferior à média de 3,5% observada em 2024-2025, e o FMI alerta que a tendência desinflacionária vista desde o início de 2024 "ficou estagnada."
A modesta desaceleração reflete os efeitos da guerra no Oriente Médio, parcialmente atenuada pelo momentum de demanda acelerada do ciclo tecnológico global impulsionado pela inteligência artificial. O FMI deixa claro que as projeções dependem criticamente dos desdobramentos no Oriente Médio: uma escalada das tensões pode afetar negativamente tanto o crescimento quanto a inflação, enquanto uma reabertura do Estreito de Ormuz mais suave do que o cenário base prevê tornaria a expansão mais firme e a inflação mais baixa.
A revisão chega num momento particularmente delicado: horas antes da divulgação do relatório, Trump declarou em Ancara que o acordo de cessar-fogo com o Irã "acabou", o CENTCOM atacou mais de 80 alvos militares iranianos e o Brent disparou mais de 5% para cerca de US$ 78. O cenário adverso que o FMI descreve como hipótese está se materializando em tempo real, o que sugere que a próxima atualização do WEO pode trazer revisões ainda mais negativas para o crescimento e para a inflação se o conflito se reacender plenamente.
A revisão inflacionária para 4,7% em 2026 e 3,9% em 2027 reflete preços de energia e alimentos mais elevados, e o FMI ressalva que a dinâmica não será linear entre países, dependendo de repasses cambiais, persistência da inflação de serviços e condições do mercado de trabalho. Para 2027, a aceleração do crescimento global para 3,4% é projetada mas condicionada à resolução dos conflitos e ao aprofundamento da adoção da IA.
Para o Brasil, que já enfrenta inflação projetada em 5,30% para 2026 pelo Focus, juro real de 9,67% ao ano e dívida bruta em 81,1% do PIB, uma conjuntura global de crescimento mais lento e inflação mais alta fecha ainda mais o espaço para o Banco Central acelerar os cortes da Selic. A retomada do conflito no Oriente Médio, que o FMI apontava como principal risco para suas projeções, é exatamente o que o fim do acordo de cessar-fogo anunciado pelo presidente Donald Trump nesta quarta-feira ameaça entregar.




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