Governo Trump revoga visto de embaixadora brasileira em Washington
- Núcleo de Notícias
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Última vez que os EUA aplicaram punição semelhante no hemisfério foi contra a Venezuela de Chávez em 2010

O governo Trump decidiu revogar o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, numa resposta diplomática direta à recusa do governo brasileiro em conceder o agrément a Daniel Perez, embaixador indicado pela Casa Branca para representar os Estados Unidos em Brasília. A medida ocorre logo após o Itamaraty ter impedido a visita de dois funcionários do Departamento de Estado americano que atuariam como observadores eleitorais nas eleições de outubro.
Segundo um oficial sênior do Departamento de Estado, "o visto só será restaurado se a situação for resolvida", ou seja, se Daniel Perez for autorizado a assumir o posto em Brasília, assim como outros diplomatas americanos barrados nas últimas semanas. Trata-se de uma decisão sem precedentes em mais de 200 anos de relações diplomáticas ininterruptas entre os dois países.
A escalada vinha se acumulando havia semanas. À não concessão do agrément a Perez somam-se outras medidas que Washington já classificava como hostis: Darren Beattie, conselheiro sênior para o Brasil, foi barrado numa visita anterior, assim como o secretário-assistente Riley Barnes e o secretário-assistente adjunto Sam Samson, que tiveram vistos negados numa visita de rotina que seria de observação eleitoral.
O precedente histórico é revelador da gravidade da situação. A última vez que os Estados Unidos aplicaram medida semelhante contra um país do hemisfério foi em dezembro de 2010, contra a Venezuela de Hugo Chávez, depois que Caracas recusou aceitar Larry Palmer como embaixador americano. Na ocasião, Washington cancelou o visto do embaixador venezuelano Bernardo Álvarez Herrera, e os dois países ficaram sem embaixadores por uma década, até a ruptura total das relações diplomáticas — situação que culminou anos depois com Maduro sendo capturado por forças americanas e hoje aguardando julgamento em Nova York por tráfico de drogas.
A comparação não é trivial. O Brasil, sob o governo Lula, está sendo tratado pela diplomacia americana com o mesmo instrumento de ruptura que precedeu duas décadas de hostilidade total entre Washington e Caracas. A decisão chega num contexto em que o Brasil já enfrenta tarifas de até 37,5% sobre suas exportações, acusações públicas de má-fé nas negociações comerciais por parte do secretário de Estado Marco Rubio, e agora a revogação do visto de sua principal representante diplomata em solo americano. É o sinal mais claro até agora de que a relação bilateral atravessa sua crise mais profunda em décadas.
