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Ibovespa despenca mais de 16%, a maior queda desde o Plano Collor, em 1990

há 9 horas
2 min de leitura

Bolsa aciona circuit breaker pela primeira vez desde a pandemia e perde mais de 33 mil pontos em poucos minutos, enquanto juros futuros disparam até 182 pontos-base e o Tesouro cancela leilões



O Ibovespa despencou nesta segunda-feira (26), no primeiro pregão depois da reeleição do presidente Lula (PT), e chegou a cair mais de 16%, a maior queda desde 21 de março de 1990, quando a bolsa recuou 22,27% depois do anúncio do Plano Collor. É a maior queda diária em 36 anos, superior até às registradas no início da pandemia, em março de 2020. Às 10h56, o índice caía 16,26%, a 171.738,28 pontos, e na mínima chegou a 169.516, ante 205.082,56 no fechamento de sexta-feira. Perto do meio-dia, a perda era de cerca de 33 mil pontos, ou 16,9%. Os números são do pregão em andamento.


O dia começou com sucessivas interrupções. No mercado futuro, que abre às 9h, o índice caiu 15%, no limite de baixa, e acionou o circuit breaker, mecanismo que suspende as negociações para conter quedas abruptas. No mercado à vista de ações, a B3 acionou o dispositivo às 10h03, ainda no leilão de abertura, com pausa de 30 minutos, a primeira vez que ele foi usado desde março de 2020. Quando os negócios foram retomados, o Ibovespa abriu em queda de 16,88%, a 170.461,17 pontos, com a perda de mais de 34,2 mil pontos. Para conter a volatilidade, a B3 ampliou os limites de oscilação do dia: nos contratos futuros do índice, o piso passou de 10% para 15% e, depois, para 20%, e, no câmbio, o teto subiu para 12%.


O dólar comercial abriu em alta de 8,65%, a R$ 5,42, chegou à máxima de R$ 5,6048 e, por volta do meio-dia, subia cerca de 10%, a R$ 5,54, ante R$ 4,99 no fechamento de sexta-feira. Os juros futuros subiram em toda a curva, em até 182 pontos-base, e o Tesouro Nacional cancelou leilões.


O tamanho da queda reflete o tamanho da aposta desfeita. Durante semanas, grandes investidores se posicionaram para a vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado à frente por todas as pesquisas, e na sexta-feira o Ibovespa fechou perto da máxima histórica e o dólar, abaixo de R$ 5. A reeleição do petista, com 51,78% dos votos válidos, foi tratada como surpresa.


O senador Flávio Bolsonaro anunciou que pedirá a anulação da eleição, o que acrescenta incerteza política a um mercado que já opera em modo de defesa.


Carlos Dias, FRSA. Assine o Rumo News!
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