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Ibovespa renova recorde histórico acima de 193 mil pontos com euforia pelo cessar-fogo entre EUA e Irã

Índice avança 2% e atinge nova máxima intradia pela primeira vez desde fevereiro; perspectiva de reabertura do Estreito de Ormuz destravam apetite global por risco




A bolsa brasileira entrou no modo euforia nesta quarta-feira. O Ibovespa superou pela primeira vez a marca de 193 mil pontos, renovando a máxima histórica intradia ao atingir 193.759,01 pontos, impulsionado pela notícia do cessar-fogo bilateral entre os Estados Unidos e o Irã anunciado na véspera pelo presidente Donald Trump. Por volta de 13h, o índice avançava 2%, a 192.025,00 pontos, num pregão em que o otimismo tomou conta de praticamente toda a carteira teórica da B3.


O gatilho foi o acordo de cessar-fogo de duas semanas, que suspendeu uma guerra de seis semanas responsável pela maior interrupção no fornecimento global de energia desde a crise do petróleo dos anos 1970. A perspectiva de reabertura do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial e que permaneceu efetivamente bloqueado desde o início da Operação Epic Fury em 28 de fevereiro, foi o principal catalisador da virada nos mercados globais. O petróleo já havia despencado 14% na véspera com o anúncio, e os mercados de renda variável responderam na direção oposta.


O Ibovespa havia encerrado 2025 no patamar de 160 mil pontos e chegou a superar os 192 mil em fevereiro antes de ser derrubado pelo início da guerra, que retirou mais de 15 mil pontos do índice ao longo de março. O recorde desta quarta-feira representa que a bolsa não apenas se recuperou completamente das perdas provocadas pelo conflito, mas superou sua máxima histórica anterior, sinalizando que o mercado está precificando um cenário de normalização energética global com reflexos positivos para os ativos brasileiros.


O Brasil reúne um conjunto de fatores que o tornam especialmente sensível à resolução do conflito. A Petrobras, que havia acumulado alta histórica no trimestre justamente pela valorização do petróleo, entra numa fase diferente: com o barril em queda, as ações da estatal tendem a perder o impulso geopolítico, mas o restante da carteira, especialmente bancos, varejistas e empresas domésticas pressionadas pela inflação dos combustíveis, ganha fôlego com a perspectiva de juros menores e poder de compra das famílias em recuperação. O Banco Central, que havia sinalizado cautela máxima em função da guerra, também poderá retomar um ritmo mais acelerado de cortes na Selic caso a inflação ceda com a queda do petróleo. Entretanto, a pressão inflacionária causada pelo descontrole fiscal do governo Lula, pode forçar a autarquia a manter uma política monetária contracionista por mais tempo.


O recorde de 193 mil pontos intradia é também um marco simbólico para um mercado que havia apostado no Brasil como destino de fluxo de capital estrangeiro no início do ano, antes de ver esse movimento interrompido pelo conflito no Oriente Médio. Com o cessar-fogo em vigor e as negociações para um acordo permanente de paz em andamento, o capital internacional que havia se retirado dos ativos de risco durante as semanas de incerteza começa a encontrar motivo para retornar, e a bolsa brasileira, com suas empresas ligadas a commodities, consumo e infraestrutura, é um dos principais beneficiários desse movimento.



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