Inflação sobe sem controle e crescimento segue travado, aponta Boletim Focus
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Mercado revisa preços para cima enquanto mantém projeções fracas de PIB e juros elevados no longo prazo

O Relatório Focus resume as estatísticas calculadas considerando as expectativas de mercado coletadas até a sexta-feira anterior à sua divulgação. Ele é divulgado toda segunda-feira. O relatório traz a evolução gráfica e o comportamento semanal das projeções para índices de preços, atividade econômica, câmbio, taxa Selic, entre outros indicadores. As projeções são do mercado, não do Banco Central. (Fonte: bcb.gov.br)
INFLAÇÃO
O quadro inflacionário mostra sinais claros de agravamento ao longo dos próximos anos. Para 2026, a projeção do IPCA subiu para 4,71%, registrando a quinta alta consecutiva. O movimento de alta é consistente quando observado ao longo do tempo: há quatro semanas a estimativa era de 4,10%, passando para 4,36% na semana anterior e agora avançando ainda mais.
A deterioração também se estende para 2027, cuja projeção subiu para 3,91%, marcando o terceiro aumento seguido. Para 2028, o índice permanece em 3,60%, enquanto 2029 segue em 3,50% há 32 semanas, consolidando um patamar persistentemente acima do ideal.
No caso do IGP-M, o cenário é igualmente preocupante. A projeção para 2026 avançou para 3,86%, acumulando a sexta alta consecutiva. Para 2027, a estimativa permanece travada em 4,00% há oito semanas, enquanto 2028 registra leve recuo para 3,82%. Já para 2029, a projeção ficou em 3,70%.
Os preços administrados reforçam a tendência de pressão inflacionária. Para 2026, a estimativa subiu para 4,87%. Em 2027, avançou para 3,80%, acumulando duas semanas de alta. Para 2028 e 2029, os números seguem estáveis em 3,50%, há 20 e 39 semanas, respectivamente.
PIB
Enquanto a inflação avança, o crescimento econômico segue estagnado. Para 2026, a projeção do PIB foi mantida em apenas 1,85% pela segunda semana consecutiva, evidenciando a incapacidade de reação da economia.
O cenário pouco muda nos anos seguintes. Em 2027, a estimativa permanece em 1,80% há 15 semanas. Para 2028, o crescimento segue fixado em 2,00% há 109 semanas, enquanto 2029 também permanece em 2,00%, estável há 56 semanas. Trata-se de um horizonte prolongado de baixo dinamismo econômico.
CÂMBIO
A taxa de câmbio não indica melhora estrutural. Para 2026, a estimativa recuou para R$ 5,37, interrompendo a estabilidade anterior.
Em 2027, o dólar também teve projeção reduzida para R$ 5,40. Para 2028, a expectativa caiu para R$ 5,46, enquanto 2029 permanece em R$ 5,50 há três semanas. Apesar dos recuos pontuais, o real segue projetado em patamar desvalorizado ao longo de todo o horizonte analisado.
SELIC
Os juros seguem elevados, refletindo a persistência inflacionária e o desequilíbrio econômico. Para 2026, a taxa Selic foi mantida em 12,50% pela terceira semana consecutiva.
Para 2027, a projeção permanece em 10,50% há 61 semanas. Em 2028, segue em 10,00% há 12 semanas, enquanto 2029 registra 9,75% pela segunda semana seguida. O cenário indica que o custo do dinheiro continuará alto por vários anos, limitando investimentos e o crescimento do setor produtivo.
O conjunto das projeções reforça uma conjuntura de inflação resistente, crescimento baixo e juros elevados, um quadro que tende a restringir a atividade econômica e pressionar ainda mais o poder de compra da população nos próximos anos.




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