IPCA de março sobe 0,88%, puxado por transportes e alimentação; acumulado em 12 meses chega a 4,14%
- Núcleo de Notícias

- há 2 dias
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Resultado eleva o índice para além do centro da meta de 3%; alta dos combustíveis e dos alimentos concentra o choque inflacionário do mês

A inflação oficial brasileira acelerou em março. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo subiu 0,88% no mês, acima dos 0,70% registrados em fevereiro. No acumulado de 12 meses até março, o IPCA atingiu 4,14%, também superando a projeção de 4,00%. O resultado coloca a inflação confortavelmente acima do centro da meta contínua de 3% definida pelo Conselho Monetário Nacional, ainda que dentro do intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima, o que corresponde ao teto de 4,5%.
Os dois grupos que mais pressionaram o índice em março foram transportes, com alta de 1,64%, e alimentação e bebidas, com avanço de 1,56%. O grupo de transportes reflete diretamente o impacto da guerra no Oriente Médio sobre os preços dos combustíveis: o petróleo disparou mais de 50% desde o início do conflito em 28 de fevereiro, e os preços do diesel e da gasolina no mercado doméstico não ficaram imunes à pressão. A aceleração em relação a fevereiro, quando o grupo havia subido 0,74%, indica que o choque externo ainda estava em processo de transmissão para os preços finais ao consumidor ao longo de março.
A alimentação e bebidas saltou de 0,26% em fevereiro para 1,56% em março, mudança que reflete tanto o encarecimento dos insumos agrícolas quanto os dados já divulgados pelo Dieese sobre a cesta básica, que subiu em todas as 27 capitais brasileiras no período.
Artigos de residência (0,51%), vestuário (0,46%), despesas pessoais (0,65%) e comunicação (0,19%) também contribuíram para a elevação do índice, ainda que de forma menos expressiva.
O número de março chega num momento delicado para o Banco Central. A autarquia já havia sinalizado na ata do Copom que o futuro da Selic depende da "profundidade e extensão" da guerra no Oriente Médio, e que o cenário exige "restrição monetária maior e por mais tempo" do que seria necessário em condições normais. O IPCA de 0,88%, ao superar as projeções do mercado, reforça essa narrativa e reduz ainda mais o espaço para aceleração do ciclo de cortes de juros, mesmo com o cessar-fogo anunciado esta semana abrindo perspectiva de alívio nos preços dos combustíveis nos próximos meses.




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