Lula diz que Brasil vive "melhor momento econômico" na Cúpula do Mercosul
- Núcleo de Notícias

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No entanto, realidade não poderia ser mais distante

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursou na 68ª Cúpula do Mercosul, anunciando formalmente a outros chefes de Estado da América do Sul que será candidato em outubro. "Pela maior política de inclusão social já feita na história do Brasil, eu, aos 80 anos, com a vitalidade de um jovem de 20, vou concorrer às eleições para poder garantir que o Brasil mantenha-se como país democrático, porque não é possível a gente imaginar irresponsáveis governando um país de 215 milhões de habitantes", declarou.
Lula afirmou que o "país está recuperado" e "vive o seu melhor momento econômico e de crescimento" mesmo com o mundo em crise. Os dados mais recentes contam uma história diferente. A dívida pública bruta brasileira subiu para 81,1% do PIB em maio, e pela métrica do FMI, que inclui todos os títulos do Tesouro, chegou a 94,3% do PIB, muito acima da média de 77,2% projetada para economias emergentes e em desenvolvimento. A conta de juros acumulada em 12 meses atingiu 8,48% do PIB em maio, o nível mais alto desde fevereiro de 2016, quando o país enfrentava uma das piores recessões de sua história recente. O setor público consolidado registrou déficit de R$ 56,131 bilhões em maio, pior que a expectativa do mercado, com o governo central sozinho responsável por R$ 55,169 bilhões do rombo.
O presidente citou inflação acumulada menor como conquista, mas o IPCA-15 de junho acumula 4,8% em 12 meses, acima do teto da meta de 4,5%, com projeção atual de 5,33% para o fechamento de 2026. O Banco Central já admitiu, na própria ata do Copom, que a convergência da inflação à meta de 3% só deve ocorrer no primeiro trimestre de 2028, um horizonte mais longo do que o usual. O Brasil consolidou-se como o país com o maior juro real do mundo, em 9,67% ao ano, à frente de Rússia, Turquia e México. Investidores exigem prêmio crescente para financiar um governo que arrecada recorde e ainda assim entrega déficits recordes: a arrecadação federal somou R$ 1,323 trilhão nos primeiros cinco meses do ano, alta real de 6,42%, e mesmo assim o déficit primário de maio foi 32% pior que o mesmo mês de 2025.
Sobre o "melhor momento econômico", os dados de competitividade e produtividade desmentem a narrativa: o Brasil caiu para a 65ª posição no ranking de competitividade do IMD entre 70 economias avaliadas, ficando atrás de Venezuela, Nigéria e Namíbia em múltiplas categorias, e ocupa a última posição mundial em custo de capital, educação primária e secundária, força de trabalho produtiva e habilidades financeiras. Pelo 15º ano consecutivo, o Brasil também ocupa a última posição no índice que mede o retorno de impostos em qualidade de vida entre os 30 países de maior carga tributária do mundo.
Lula atribuiu as dificuldades econômicas brasileiras a "agentes externos" que "nunca permitem" o crescimento do país, mas as exportações brasileiras aos Estados Unidos caíram ao menor nível em 30 anos justamente em decorrência da deterioração da relação bilateral que o próprio presidente alimentou com ataques públicos ao presidente Donald Trump e ao secretário de Estado Marco Rubio, classificado por Lula como "inimigo mortal" e "latino-americano frustrado". A participação americana nas exportações brasileiras recuou de 12,4% para 9,3% após o tarifaço, com déficit comercial bilateral crescendo 43,3% para US$ 1,5 bilhão, resultado direto de decisões de política externa do próprio governo, não de forças alheias à sua vontade.
O discurso de "terra arrasada" recuperada ignora que as estatais federais, sob a atual gestão, acumulam o pior déficit em mais de duas décadas, com R$ 5,93 bilhões de rombo nos primeiros quatro meses de 2026, e que o próprio governo já projeta, em documento oficial enviado ao Congresso, que as estatais seguirão deficitárias até 2030.




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