A admiração por um assassino
- Núcleo de Notícias

- há 2 dias
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou mensagem a um evento em Havana que celebra os cem anos de nascimento de Fidel Castro nesta quinta-feira (13), atribuindo ao ditador cubano o mérito por ocupar a Presidência do Brasil pela terceira vez. "Se hoje estou pela terceira vez à frente da presidência do Brasil, é graças ao estímulo e à sabedoria de Fidel Castro", escreveu o petista. Na mesma mensagem, Lula desejou "força e esperança" ao povo cubano diante das sanções e da pressão diplomática recente dos Estados Unidos sobre a ilha.
A declaração merece ser confrontada com a realidade histórica que ela tenta contornar. Fidel Castro não foi um estadista cuja "sabedoria" mereça ser celebrada: foi o fundador e sustentador, por quase cinco décadas, de uma das ditaduras mais sanguinárias, duradouras e repressivas do hemisfério ocidental. Sob seu comando e o de seus sucessores, Cuba consolidou um aparato de vigilância política que reprime sistematicamente a dissidência, mantém prisioneiros políticos, restringe a liberdade de imprensa e de expressão, e submeteu gerações inteiras de cubanos a décadas de racionamento, escassez crônica de alimentos e medicamentos, e a um dos maiores êxodos populacionais da história latino-americana. O próprio Departamento de Estado americano detalhou recentemente, em relatório extenso, como as estruturas de inteligência e repressão erguidas por Fidel seguem operando hoje, inclusive como instrumento de exportação de ideologia e desestabilização em outros países, incluindo os próprios Estados Unidos.
Um presidente da República atribuir parte de sua trajetória política pessoal a essa figura, num tom de gratidão e reverência, não é um gesto de nostalgia inofensiva. Lula e Fidel fundaram juntos o Foro de São Paulo em 1990, plataforma que serviu de matriz ideológica para movimentos e governos. As administrações petistas, aliás, não se limitaram à proximidade simbólica. Financiaram diretamente o regime cubano, como na construção do Porto de Mariel pela Odebrecht, viabilizada por mais de US$ 600 milhões em empréstimos do BNDES — dinheiro público brasileiro que Cuba deixou de pagar a partir de 2018, calote que até hoje onera os cofres do país.
Não é a primeira vez que Lula presta esse tipo de homenagem. Após a morte de Fidel em 2016, o petista já havia chamado o ditador de "o maior de todos os latino-americanos", declarando sentir sua morte "como a perda de um irmão mais velho". A repetição do gesto agora, no centenário do nascimento de Fidel Castro e em pleno ano eleitoral brasileiro, revela a perversidade da ideologia do petista: o presidente do Brasil segue tratando como legado a ser celebrado exatamente o modelo de poder perpétuo, censura e miséria planejada que hoje mantém o povo cubano refém de um regime que nunca permitiu eleições livres, nunca tolerou oposição e nunca prestou contas por décadas de violações documentadas de direitos humanos.




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