Mensagens interceptadas mostram Vorcaro cobrando repasses mensais de R$ 300 mil a R$ 500 mil a Ciro Nogueira
- Núcleo de Notícias

- há 5 dias
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Polícia Federal aponta que senador "instrumentalizou o mandato" em favor do banqueiro preso

Mensagens interceptadas pela Polícia Federal e que embasaram a operação desta quinta-feira (7) contra o senador Ciro Nogueira (PP-PI) apontam que o parlamentar recebia repasses mensais do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, em valores que variavam entre R$ 300 mil e R$ 500 mil. Os diálogos, trocados entre Vorcaro e seu primo e operador financeiro Felipe Cançado Vorcaro, detalham com rara precisão o funcionamento do esquema de pagamentos ao presidente nacional do Progressistas.
As mensagens descrevem uma estrutura denominada "parceria BRGD/CNLF", na qual a empresa BRGD S.A., da família Vorcaro, enviava recursos mensalmente para a CNLF Empreendimentos, veículo patrimonial do senador. Em janeiro de 2025, Felipe relatou ao banqueiro dificuldades em manter o fluxo regular em razão do "aumento dos pagamentos" ao "parceiro brgd." Meses depois, em junho de 2025, Daniel Vorcaro cobrou o primo pelo atraso de dois meses nos repasses a "ciro." A resposta de Felipe é o trecho mais revelador do conjunto: "Vai continuar os 500k ou pode ser os 300k?", deixando claro que o valor mensal havia aumentado ao longo do período e que os dois discutiam abertamente a continuidade e o valor dos pagamentos ao senador.

Segundo a PF, as mensagens comprovam que o senador Ciro Nogueira "instrumentalizou o exercício do mandato parlamentar em favor dos interesses privados" de Daniel Vorcaro e que atuou pelo dono do Master "em troca do recebimento de vantagens econômicas indevidas." O caso da emenda ao FGC, redigida pela assessoria do Banco Master e apresentada pelo senador ao Senado com o texto reproduzido integralmente, é o exemplo mais documentado dessa instrumentalização, mas a PF aponta que houve circulação de minutas de outros projetos legislativos a partir da residência do senador.
A estrutura de pagamentos revelada pelas mensagens é sofisticada o suficiente para disfarçar a propina como transação comercial entre empresas, mas direta o suficiente para que os envolvidos discutissem valores e atrasos num canal de comunicação que se revelou interceptado. A prisão temporária de Felipe Cançado Vorcaro, além de ser a consequência imediata das provas colhidas, deve ampliar o alcance das investigações: como operador financeiro do esquema, o primo do banqueiro tem conhecimento detalhado sobre outros pagamentos, outros destinatários e a estrutura completa de corrupção que sustentou o Banco Master até sua liquidação.




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