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Os destaques da semana: tarifas americanas, escalada no Irã e pressão doméstica sobre o Brasil

19 de jul.
3 min de leitura

Semana marcada pela oficialização do tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros, 8 noites consecutivas de ataques americanos ao Irã, 2 militares americanos mortos na Jordânia e Moraes proibindo Flávio Bolsonaro de visitar o pai



Foi uma semana de múltiplas frentes simultâneas para o Brasil e para o mundo. No plano geopolítico, o conflito entre Estados Unidos e Irã entrou em sua fase mais intensa desde o início da Operação Epic Fury em 28 de fevereiro. No plano comercial, o governo Trump oficializou a tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, com o secretário de Estado Marco Rubio apontando Lula como o responsável. No plano doméstico, o ministro Alexandre de Moraes proibiu o senador Flávio Bolsonaro de visitar o pai por 90 dias, decisão contestada pela OAB, enquanto os dados econômicos confirmaram a desaceleração da atividade brasileira.


Conflito EUA-Irã: oito noites de ataques e memorando suspenso


O memorando de entendimento assinado em 14 de junho, que havia derrubado o petróleo de mais de US$ 120 para abaixo de US$ 72, foi formalmente suspenso por ambas as partes nesta semana. O presidente Donald Trump havia declarado o acordo "acabado" na cúpula da OTAN em Ancara na quarta-feira passada, e o vice-chanceler iraniano Kazem Gharibabadi confirmou a suspensão dos compromissos iranianos no sábado. O CENTCOM concluiu a oitava noite consecutiva de ataques ao Irã no sábado, tendo destruído mais de 300 alvos militares ao longo da semana, incluindo defesas aéreas, radares costeiros, depósitos de mísseis e embarcações da Guarda Revolucionária. Dois militares americanos foram mortos em ataques iranianos a uma base na Jordânia na sexta-feira, as primeiras baixas desde a retomada dos combates e as décimas quinta e décima sexta do conflito total. Um terceiro militar está desaparecido. O Irã respondeu expandindo seus ataques para a infraestrutura civil de países do Golfo, atingindo instalações de petróleo, eletricidade e água do Kuwait e interceptações no Bahrein neste sábado. O Estreito de Ormuz ficou praticamente paralisado, com apenas três navios cruzando a passagem na quinta-feira, ante uma média de 125 diários antes da guerra. O Brent fechou a semana acima de US$ 88.


Tarifaço americano: 25% sobre produtos brasileiros a partir de 22 de julho


O governo Trump oficializou na quarta-feira (15) a tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, com vigência a partir de 22 de julho. Etanol, calçados, vestuário, açúcar, máquinas agrícolas e manufaturados em geral estão na lista. Ficam isentos carne bovina, café, petróleo, aeronaves, farmacêuticos e sucos de laranja. O secretário de Estado Marco Rubio foi direto ao apontar o responsável: "O presidente Lula e seu governo não negociaram com os EUA de boa-fé. No último ano, Lula colocou seu próprio ego à frente de fazer um acordo pelo bem-estar do povo brasileiro, e essas tarifas são o preço por isso." O governo brasileiro classificou a decisão como "marco lastimável" e ameaçou acionar a Lei de Reciprocidade e a OMC.


Alexandre de Moraes proíbe Flávio Bolsonaro de visitar Jair Bolsonaro por 90 dias


O ministro Alexandre de Moraes proibiu o senador Flávio Bolsonaro de visitar o pai por 90 dias após a divulgação da "Carta aos Brasileiros", na qual o ex-presidente Jair Bolsonaro declarava apoio à candidatura do filho e o chamava de seu "porta-voz." O ministro enquadrou a carta como possível violação das condições da prisão domiciliar, que proíbe o ex-presidente de usar redes sociais "diretamente ou por intermédio de terceiros", e encaminhou o caso ao procurador-geral eleitoral para apurar propaganda antecipada. O Conselho Federal da OAB contestou a decisão, argumentando que Flávio é advogado constituído nos autos do processo e tem dever constitucional de comunicação com seu cliente. A defesa classificou a medida como "inconstitucional e ilegal" por violar a ampla defesa e as prerrogativas da advocacia.


Economia brasileira em desaceleração


Os dados da semana confirmaram o quadro de perda de fôlego da economia. O IBC-Br cresceu apenas 0,1% em maio, com agropecuária recuando 1,0% e serviços avançando irrisórios 0,1%. O Ministério da Fazenda elevou a projeção do IPCA para 5,1% em 2026, acima do teto da meta de 4,5%, citando o choque do petróleo e o El Niño. A pesquisa Genial/Quaest mostrou que 51% dos brasileiros acham que Lula não merece mais quatro anos, numa semana em que o Ibovespa acumulou queda e fechou a 173.714 pontos na sexta-feira, ainda 12% abaixo dos recordes históricos de abril.



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