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PF identifica repasse de R$ 14,2 milhões de fundo ligado à Refit para empresa da família de Ciro Nogueira

Transferência foi incluída no relatório da Operação Sem Refino; senador confirma operação e diz que foi venda regular de terreno



A Polícia Federal identificou um repasse de R$ 14,2 milhões de um fundo ligado ao grupo Refit para a empresa Ciro Nogueira Agropecuária e Imóveis, pertencente à família do senador Ciro Nogueira (PP-PI), segundo relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal no âmbito da Operação Sem Refino. A investigação apura suspeitas de sonegação fiscal, corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo o conglomerado controlado pelo empresário Ricardo Magro, apontado pela Receita Federal como o maior devedor contumaz de impostos do país, com débitos superiores a R$ 26 bilhões.


O senador confirmou a operação financeira e apresentou explicação. "Em relação ao caso em questão, esclarecemos que empresa que adquiriu o terreno buscava uma área superior a 40 hectares com o propósito de construir uma distribuidora de combustíveis", afirmou em nota, acrescentando que a negociação foi declarada às autoridades e que em 2024, período da negociação investigada, possuía apenas 1% de participação societária na empresa. Atualmente, Ciro não figura formalmente entre os sócios da empresa que leva seu nome.


Os investigadores, porém, apontam problemas na documentação. Segundo a PF, a contabilidade analisada "não detalha o motivo do pagamento nem apresenta documentação suficiente sobre a operação", o que deverá ser aprofundado em etapas posteriores. A transferência partiu da empresa Athena, considerada pelos investigadores a "principal beneficiária" de recursos do fundo EUV Gladiator, ligado ao grupo Refit. A PF descreve o padrão de movimentação como típico de "empresa de passagem", com os valores sendo rapidamente transferidos ao beneficiário final sem permanência significativa na conta e sem despesas operacionais compatíveis com a atividade formalmente declarada.


O episódio se soma ao acúmulo de investigações que envolvem o senador. No início de maio, Ciro Nogueira foi alvo de busca e apreensão na Operação Compliance Zero, que apura fraudes relacionadas ao Banco Master. Naquele inquérito, a PF afirma que o parlamentar teria recebido "vantagens indevidas" em troca de auxílio ao banqueiro Daniel Vorcaro, com supostos pagamentos mensais entre R$ 300 mil e R$ 500 mil, além de ter apresentado ao Senado emenda redigida pela própria assessoria do banco. O senador nega irregularidades em ambos os casos.



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