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Poupança tem saques líquidos de R$ 7,15 bilhões em julho, maior volume desde março

É o segundo mês seguido de saques após maio ser único período positivo do ano



A caderneta de poupança brasileira registrou em julho retiradas líquidas de R$ 7,153 bilhões, o maior volume de saques desde março, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (7) pelo Banco Central. Foi o segundo mês consecutivo de saques, depois de maio ter sido o único mês do ano até agora com entradas líquidas na aplicação.


O Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo registrou saldo negativo de R$ 6,952 bilhões em julho, também o maior volume desde março, enquanto a poupança rural teve saques líquidos de R$ 200,530 milhões. No acumulado do ano, a poupança já registra saques líquidos de R$ 46,509 bilhões. A aplicação vem registrando perdas anuais consecutivas de recursos desde 2021, com a grande maioria dos meses apresentando resultado negativo. A rentabilidade atual é dada pela Taxa Referencial mais remuneração fixa de 0,5% ao mês, fórmula que vale enquanto a Selic estiver acima de 8,5% ao ano — atualmente em 14%, após o corte anunciado pelo Copom nesta semana.


Um volume de saques consistentemente maior que os depósitos costuma refletir a combinação de dois movimentos por parte das famílias. O primeiro é de natureza financeira: com a Selic ainda em patamar elevado, mesmo após o início do ciclo de cortes, investimentos de renda fixa como o Tesouro Selic e CDBs de bancos médios rendem significativamente mais do que a poupança, que paga TR mais 0,5% ao mês independentemente do nível da taxa básica. Isso torna a caderneta cada vez menos competitiva para quem tem alguma capacidade de poupar e busca rentabilidade.


O segundo movimento é de natureza mais preocupante: parte relevante dos saques reflete famílias recorrendo à reserva de emergência para cobrir despesas correntes numa conjuntura de preços em alta. A pesquisa PoderData divulgada em julho já havia mostrado que 69% dos brasileiros percebem aumento nos gastos com mercado e contas, e que 47% não teriam R$ 500 disponíveis para uma emergência financeira.


Nesse contexto, os saques recorrentes da poupança podem ser um indicador antecedente de que famílias estão esgotando suas reservas para sustentar o consumo básico diante da inflação persistente e do custo de vida elevado, um sinal de fragilidade financeira das famílias que se soma ao quadro fiscal do próprio governo, com déficit primário de R$ 93 bilhões no primeiro semestre e dívida pública em R$ 9,268 trilhões.



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