Recuperação judicial no agronegócio salta 21,9% no 1º trimestre de 2026
- Núcleo de Notícias

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Serasa Experian registra 474 pedidos entre janeiro e março de 2026, número que já supera todo o volume acumulado em 2021; resultado vem na esteira de 2025, ano que fechou com recorde histórico de quase 2 mil pedidos

O agronegócio brasileiro registrou 474 pedidos de recuperação judicial de produtores e empresas do setor no primeiro trimestre deste ano, avanço de 21,9% sobre o mesmo intervalo de 2025, segundo levantamento da Serasa Experian. Esse único trimestre já concentra mais pedidos do que os doze meses inteiros de 2021, e também supera o total de 2022, evidenciando o acúmulo de pressão financeira sobre o campo ao longo dos últimos anos.
Duas safras seguidas de margens comprimidas explicam parte do quadro. A guerra entre Estados Unidos e Irã encareceu ainda mais itens como fertilizantes e combustíveis, num momento em que soja e milho negociam em patamares de preço desfavoráveis ao produtor. Mesmo com colheitas em nível recorde de volume, a equação financeira no fim da safra segue apertada.
O elo mais direto entre essa crise e a condução da política econômica do governo Lula está nos juros. A manutenção da Selic em patamar restritivo ao longo de todo o mandato — hoje ainda em 14% ao ano, mesmo após o início do ciclo de cortes — encareceu o crédito rural e ampliou as despesas financeiras dos produtores, corroendo a margem que sobraria para o próprio negócio. Essa taxa de juros elevada não é acidental: decorre diretamente da trajetória fiscal do governo, que fechou o primeiro semestre de 2026 com déficit primário de R$ 92,98 bilhões e déficit nominal de R$ 624,1 bilhões ao incluir os juros da dívida. Para conter a inflação alimentada por esse desequilíbrio nas contas públicas, o Banco Central é forçado a sustentar uma das taxas básicas mais altas do mundo — e é justamente esse custo de capital elevado que hoje empurra produtores rurais, principalmente os menores, para os tribunais em busca de recuperação judicial.
A Serasa Experian atribui o cenário à combinação entre acesso mais restrito ao crédito, custos de produção que seguem elevados e o nível de endividamento já acumulado pelos produtores, fatores que juntos comprometem o caixa das fazendas. A consultoria classificou 2025 como o pior ano da série histórica monitorada, com 1.990 pedidos de recuperação judicial no total, alta de 56% sobre 2024. Somente no segundo e terceiro trimestres daquele ano foram protocolados 565 e 628 pedidos, respectivamente — volumes que, isoladamente, superam qualquer ano fechado antes de 2023.
Os números do início de 2026 também mostram que a crise deixou de se concentrar apenas nas grandes operações. As empresas rurais somaram 196 pedidos, salto de 73,5% na comparação anual, enquanto produtores pessoa física registraram 182, recuo de 6,7% ante o mesmo período de 2025. Entre empresas ligadas à cadeia do agronegócio, como revendas de insumos, foram 96 pedidos, alta de 18,5%.




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