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Setor público consolidado tem déficit nominal de R$ 97,6 bilhões em julho

Em doze meses, déficit chega a R$ 1,240 trilhão, equivalente a 9,34% do PIB



O setor público consolidado registrou déficit nominal de R$ 97,602 bilhões em julho, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (31) pelo Banco Central. O resultado sucede o déficit de R$ 165,966 bilhões apurado em junho. No acumulado do ano, o déficit nominal já soma R$ 747,452 bilhões, equivalente a 9,53% do Produto Interno Bruto. Em doze meses, o rombo total chega a R$ 1,240 trilhão, ou 9,34% do PIB.


O resultado nominal reflete a diferença entre receitas e despesas do setor público, já incorporando o pagamento de juros sobre a dívida pública — e é justamente esse componente que expõe a gravidade da situação fiscal do país. O governo central foi responsável pela maior parcela do déficit de julho, com resultado negativo de R$ 81,842 bilhões. Os governos regionais somaram déficit de R$ 14,042 bilhões, enquanto as empresas estatais fecharam o mês com rombo nominal de R$ 1,719 bilhão.


Um déficit nominal que representa praticamente um décimo de tudo o que o país produz em um ano é o retrato de uma trajetória fiscal fora de controle sob a atual gestão. O governo Lula, que ao longo do ano vem batendo recordes sucessivos de arrecadação — como os R$ 289,346 bilhões movimentados somente em julho, o maior valor já registrado para o mês desde 1995 —, segue incapaz de transformar esse volume crescente de receitas em qualquer aproximação de equilíbrio fiscal. O problema, portanto, nunca foi a insuficiência de recursos entrando nos cofres públicos, mas a absoluta falta de controle sobre o ritmo de expansão das despesas, somada ao custo cada vez mais pesado dos juros sobre uma dívida pública que já ultrapassa R$ 9,268 trilhões.


É esse mesmo desequilíbrio que obriga o Banco Central a manter a Selic em patamar restritivo, retroalimentando o próprio problema: juros altos encarecem ainda mais o serviço da dívida, o que amplia o déficit nominal, que por sua vez exige juros ainda mais altos para conter a inflação gerada pelo descontrole fiscal. Um déficit acumulado de 9,53% do PIB em apenas sete meses de 2026 é a evidência concreta de que a política fiscal conduzida pelo governo Lula segue incapaz de equacionar as contas públicas do país, com dispêndios que recaem diretamente sobre o crédito, os investimentos e o crescimento da economia brasileira.



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