TRF-1 revoga prisão de Daniel Vorcaro
- Núcleo de Notícias

- 28 de nov. de 2025
- 3 min de leitura
Medida que coloca o dono do Banco Master em liberdade contraria expectativa de firmeza diante de um caso que abalou o mercado e o sistema regulatório

O Tribunal Regional Federal da 1ª Região decidiu, nesta sexta-feira (28), soltar Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, poucos dias após sua prisão no Aeroporto de Guarulhos. A desembargadora Solange Salgado substituiu a prisão preventiva por medidas como uso de tornozeleira eletrônica, retenção de passaporte, apresentação periódica à Justiça e proibição de atuar no setor financeiro.
A mesma decisão foi estendida aos demais executivos detidos na Operação Compliance Zero, apesar de a investigação apontar um esquema complexo envolvendo emissões irregulares, gestão temerária, fraudes estruturadas e prejuízos bilionários. Trata-se de um caso que mobilizou a Polícia Federal em cinco estados e no Distrito Federal revelou falhas graves na condução de instituições financeiras.
Liberação rápida para um caso de imenso impacto
Mesmo com os danos causados ao mercado e à confiança no sistema, a desembargadora argumentou que os crimes não envolveriam violência física e que documentos apresentados pela defesa indicariam ausência de risco de fuga. Segundo o TRF-1, Daniel Vorcaro teria informado sua viagem ao exterior ao Banco Central em reunião virtual realizada poucas horas antes da prisão.
Ainda assim, o entendimento causa desconforto entre agentes do setor e observadores do caso: a simples comunicação de uma viagem não elimina a possibilidade de evasão nem reduz o potencial de ocultação de informações relevantes, sobretudo em investigações desse porte.
A rapidez da liberação — antes mesmo de avanço consistente das análises periciais e documentais — reforça a sensação de que o caso está longe de ter a resposta firme que a dimensão das irregularidades demandaria.
Operação ampla, efeitos práticos limitados
A Operação Compliance Zero mirou diretamente práticas que afetam não apenas a saúde financeira das instituições envolvidas, mas também o equilíbrio regulatório do país. A Polícia Federal cumpriu mandados de prisão, buscas e apreensões em diversos estados, investigando condutas que, segundo os autos, geraram desequilíbrios graves e prejuízo vultoso.
A decisão do TRF-1, porém, acaba neutralizando parte do impacto inicial da operação, enfraquecendo a percepção de que esse tipo de conduta será enfrentado com firmeza pelas autoridades.
Decisão alimenta descrença na capacidade do Estado de lidar com fraudes de grande escala
Embora a magistrada tenha imposto restrições e alertado para a possibilidade de nova prisão em caso de descumprimento, a mensagem prática transmitida é de leniência. Um dos principais alvos de uma operação de grande repercussão volta à liberdade antes mesmo da consolidação das provas, revelando um padrão recorrente em casos que envolvem estruturas sofisticadas e prejuízos elevados.
Mais uma vez, a sociedade testemunha uma dissonância entre a gravidade das acusações e a resposta judicial — um contraste que mina a confiança na justiça e reforça o sentimento de que o rigor raramente acompanha casos de grande porte.
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Carlos Dias.
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