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A “direita” é sócia do populismo


O Brasil assiste, mais uma vez, a um espetáculo conhecido: partidos que se apresentam como “direita” atuando como linha auxiliar do populismo fiscal. E não se trata de um episódio isolado, nem de um tropeço tático. É um padrão. PL, PP, União Brasil e Republicanos se acostumaram a vestir a fantasia do discurso duro, enquanto votam com a mão leve para aumentar gasto, criar benefícios de apelo imediato, ampliar a máquina e proteger castas do Estado. Falam em responsabilidade, mas praticam conveniência. E, nesse caminho, empurram o país para uma combinação tóxica de dívida crescente, juros altos e perda de confiança.


A semana de votações na Câmara escancarou esse retrato. Quando se aprovam penduricalhos e planos de carreira que elevam remunerações no topo do funcionalismo, quando se autoriza a criação de milhares de cargos e se consolida despesa obrigatória, quando se abre espaço para “programas” desenhados para virar propaganda e voto, o que está em jogo não é apenas uma pauta social ou administrativa. Está em jogo a mensagem central: o sistema não se contém, não se disciplina, não se limita. E quando PL, PP, União Brasil e Republicanos se somam a esse movimento, ou se omitem de forma calculada, tornam-se parte do mesmo problema que dizem combater.


Não é possível defender ordem fiscal com a boca e destruí-la com o dedo no painel. Não é sério posar de oposição enquanto se vota como governo em tudo que interessa ao Planalto, especialmente naquilo que piora a trajetória do gasto público. O Brasil não quebra por falta de slogans. O Brasil se desgasta porque as elites políticas, de governo e de “oposição”, transformaram o orçamento numa feira permanente: cada setor puxa para si, cada corporação exige tratamento especial, cada partido quer seu quinhão, e o contribuinte vira um detalhe. Essa é a lógica do privilégio. E, para tristeza de quem esperava uma reação de maturidade, a chamada direita parlamentar preferiu participar do banquete das vísceras.


O mais grave é que essa atitude não é neutra. Ela tem consequência econômica direta. Quando a política sinaliza que o gasto cresce por inércia e por decisão, o investidor não “acredita” em promessa futura. Ele precifica risco. Quem financia o Tesouro exige prêmio maior. A curva de juros estica. O custo do crédito sobe. O investimento produtivo perde tração. O país cresce menos. E, no fim do circuito, o que aparece como “benefício” ou “bondade” na manchete reaparece como custo difuso na vida do cidadão comum: menos emprego, renda comprimida, prestação mais cara, orçamento doméstico apertado.


Nesse ambiente, PL, PP, União Brasil e Republicanos agem como se fossem vítimas do governo, quando na prática se comportam como sócios do modelo. A postura de liberar bancada em temas sensíveis, de terceirizar responsabilidade, de “deixar correr” para depois fingir distância, é uma forma de covardia política. É o jeito confortável de colher dividendos eleitorais sem pagar o preço moral da escolha. O governo empurra, esses partidos não seguram, e depois tentam vender a narrativa de que “não foi bem assim”. Foi exatamente assim. O voto é o fato. O resto é encenação.


E não há como dourar a pílula: isso é impostura. Impostura com o eleitor que desejava contenção do Estado. Impostura com a sociedade que paga a conta. Impostura com a ideia, sempre repetida em campanha, de que haveria uma força política disposta a enfrentar o patrimonialismo, a cultura do privilégio e o vício de governar distribuindo favores. Quando a Câmara cria mais vantagens para si e para grupos organizados, e esses partidos acompanham, o recado ao país é devastador: a prioridade não é o interesse geral, mas a autoproteção do sistema.


Se existe um ponto que separa política adulta de política oportunista, ele está aqui: o país precisa de previsibilidade, limites e instituições funcionais. Sem isso, o Brasil vive de improvisos, remendos, exceções e promessas. E, sem previsibilidade fiscal, não há ambiente de investimento. Não há horizonte. Não há estabilidade. O Estado passa a ser visto como risco, não como garantia de ordem. Nesse cenário, a autoridade monetária é empurrada a manter juros altos por mais tempo, não porque quer, mas porque precisa compensar a incerteza fiscal. E assim se monta a armadilha: a política gasta, o mercado cobra, a economia desacelera e o cidadão comum paga. E a “direita” parlamentar, que deveria ser barreira a esse mecanismo, virou engrenagem.


PL, PP, União Brasil e Republicanos precisam ser cobrados com dureza, porque escolheram o lugar errado na história. Não é aceitável que partidos que se vendem como defensores da responsabilidade se comportem como administradores de clientelas. Não é aceitável que sustentem, por ação ou omissão, um caminho que leva a mais dívida, mais rigidez e mais dependência de receitas extraordinárias. Não é aceitável que tratem o eleitor como massa de manobra, oferecendo retórica na superfície e entregando conivência no subterrâneo.


O Brasil não precisa de uma direita de palco ou de andarilhos. Precisa de gente que entenda que populismo fiscal não é política social séria, e que o combate ao privilégio começa em casa: começa no voto contra penduricalho, contra expansão indiscriminada de máquina, contra programas pensados para marketing, contra a lógica de transferir o custo para o futuro. Quem se recusa a fazer isso não é “pragmático”. É parte do problema.


E, se esses partidos insistirem nesse jogo, convém dizer com todas as letras: não estão levando o país apenas a um aperto fiscal. Estão levando a um cenário de degradação institucional, em que o orçamento deixa de ser instrumento de governo e vira instrumento de captura. É a política transformada em condomínio de privilégios. É o cidadão tratado como caixa automático. E é exatamente isso que PL, PP, União Brasil e Republicanos, ao se comportarem como direita de conveniência, ajudam a manter.


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