A saída está no capital produtivo
- Carlos Dias

- há 11 horas
- 3 min de leitura

Atrair investimento direto é uma das poucas formas de reduzir, de maneira estável, a dependência do país de dívida e de rolagem permanente de passivos. Dívida é compromisso com vencimento, custo financeiro e risco de refinanciamento. Investimento direto, quando bem orientado, entra como capital produtivo, assume risco empresarial e tende a permanecer por mais tempo, porque está ligado a fábricas, logística, tecnologia, serviços e cadeias de suprimento.
Quando um país financia seu crescimento com endividamento externo, ele fica refém do humor do mercado internacional. Em fases de dólar forte e juros altos nas economias centrais, a renovação dos passivos encarece, os prazos encurtam e a pressão sobre o câmbio aumenta. Nesse ambiente, mesmo que as reservas sejam elevadas, o problema não desaparece, porque a economia passa a depender de fluxos constantes de capital para manter o crédito e a atividade. O resultado costuma ser uma taxa de juros doméstica mais alta, justamente para compensar o risco percebido e segurar a moeda.
O investimento direto atua de modo diferente. Ele fortalece o balanço externo porque, em vez de exigir pagamento de juros em datas fixas, ele busca retorno via lucro e expansão do negócio. Isso não elimina remessas futuras, mas muda a natureza do risco. O capital produtivo não foge com a mesma velocidade do capital financeiro, porque sua saída exige venda de ativos, negociação e tempo. Em momentos de instabilidade, essa diferença dá ao país uma margem maior para atravessar choques sem recorrer a medidas improvisadas, sem sacrificar tanto o crédito interno e sem degradar ainda mais a confiança.
Há ainda um efeito de segunda ordem que costuma ser ignorado: investimento direto melhora a capacidade de gerar dólares no futuro. Quando ele amplia exportações, substitui importações com produção local e difunde tecnologia e gestão, ele aumenta a produtividade e cria uma base mais sólida para o crescimento. Isso reduz a necessidade de buscar financiamento externo para cobrir déficits, e diminui o prêmio de risco exigido para emprestar ao país. Em termos simples, é uma mudança do modelo de sobrevivência para um modelo de acumulação de capital.
Para que isso aconteça, não basta campanha publicitária. Investimento direto exige previsibilidade, respeito à propriedade, estabilidade regulatória e um sistema tributário compreensível. O investidor aceita risco de mercado, mas não aceita risco arbitrário, aquele que nasce de mudanças repentinas de regra, judicialização interminável e tratamento desigual entre setores. Um país que quer capital de longo prazo precisa mostrar que contratos serão cumpridos, que o retorno não será confiscado por surpresas tributárias e que a concorrência não será distorcida por privilégios.
Reduzir a dependência de dívida, portanto, é menos um exercício contábil e mais um problema institucional. Reservas ajudam, mas são defesa. Investimento direto é construção. Sem ele, a economia fica presa ao ciclo de endividamento, juros altos e crescimento baixo. Com ele, o país ganha tempo, escala e densidade produtiva para transformar riqueza potencial em prosperidade real, com menos vulnerabilidade cambial e menor submissão ao custo do dinheiro.
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Carlos Dias.
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