O trono da tolice: sombras do poder estatista
- Carlos Dias
- há 3 dias
- 3 min de leitura

A tarefa de compreender a realidade exige, antes de tudo, o reconhecimento do que Mário Ferreira dos Santos chamava de filosofia concreta: o mergulho naquilo que as coisas efetivamente são, despidas das camadas de abstrações ideológicas que frequentemente as escondem. No cenário brasileiro, deparamo-nos com um fenômeno curioso que desafia a lógica puramente cognitiva. Refiro-me àquela limitação da inteligência que, longe de ser um acidente biológico, apresenta-se como uma ferramenta de poder. É a estultice elevada à categoria de método por uma elite que se julga detentora de uma visão privilegiada sobre o destino da nação.
Essa "burrice" de que falamos não é a falta de instrução, mas sim uma espécie de cegueira voluntária diante das leis permanentes da realidade. No campo do pensamento que se pretende estratégico, vemos figuras que, envoltas em uma aura de autoridade, ignoram as lições mais elementares da história e da economia. É a presunção de que o Estado pode, por meio de um planejamento centralizador e de um nacionalismo de fachada, moldar a sociedade à sua imagem e semelhança. Antonio Paim bem observou como o patrimonialismo e a vocação estatista moldaram a mentalidade de nossas lideranças, criando um ciclo onde o erro é repetido com a solenidade de uma descoberta inovadora.
O aspecto mais irônico dessa operação é a sua sutileza. A elite presunçosa utiliza um vocabulário técnico para mascarar uma indigência intelectual profunda. Ao defenderem soluções que já se provaram falimentares em qualquer lugar do mundo, esses setores acreditam estar protegendo a soberania, quando, na verdade, estão apenas preservando privilégios e estruturas de poder que impedem o florescimento da liberdade individual. É o divórcio completo entre o pensamento e a ação humana real. Eles se encantam com a retórica de figuras que prometem uma terceira via ou uma salvação nacionalista, sem perceberem que estão apenas voltando ao mesmo pântano intervencionista que nos atrasa há décadas.
Essa limitação intelectual opera como um filtro que exclui qualquer evidência que contrarie o dogma do Estado como motor da vida. Para esses estrategistas, a economia não é um processo de coordenação social entre indivíduos livres, mas um tabuleiro de xadrez onde eles são os únicos jogadores. A incapacidade de enxergar o valor da descentralização, da autonomia das instituições e da inviolabilidade da vida e da propriedade não é apenas um equívoco técnico; é uma decadência do espírito. É a recusa em aceitar que a ordem social não nasce de decretos, mas da tradição e da liberdade.
Por fim, o que vemos é o triunfo de uma mediocridade que se veste de gala. A elite que hoje aplaude soluções anacrônicas demonstra que a verdadeira burrice é a incapacidade de aprender com o passado. Enquanto se perdem em teorias que ignoram a natureza humana e as leis de mercado, eles conduzem o país para uma repetição enfadonha de crises já conhecidas. A filosofia concreta nos ensina que não há estratégia que sobreviva ao desprezo pela verdade. Sem o retorno aos fundamentos da realidade e o respeito à liberdade, o que resta é apenas o teatro de uma elite que, em sua presunção, tornou-se prisioneira da própria ignorância.
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