top of page

A necessária ruptura com a concentração de poder e riqueza em Brasília

  • Foto do escritor: Carlos Dias
    Carlos Dias
  • 30false06 GMT+0000 (Coordinated Universal Time)
  • 4 min de leitura

O debate sobre a descentralização econômica e política no Brasil não é apenas técnico ou administrativo. Trata-se de uma questão estrutural que define os limites da liberdade, da eficiência do Estado e da capacidade de geração de riqueza em um país continental, marcado por profundas diferenças regionais. A excessiva concentração de poder decisório, recursos fiscais e capacidade regulatória na União transformou Brasília em um centro quase absoluto de comando econômico, produzindo dependência crônica de estados e municípios e reduzindo o espaço para soluções locais, inovadoras e ajustadas à realidade de cada região.


Entre 2019 e 2022, o Brasil iniciou um movimento de inflexão nesse modelo. O governo do presidente Jair Bolsonaro adotou uma agenda orientada à redução do intervencionismo estatal, à descentralização administrativa, à desburocratização e ao fortalecimento da autonomia do setor produtivo. Medidas como a ampliação da liberdade econômica, a redução de entraves regulatórios e a busca por maior responsabilidade fiscal sinalizaram uma tentativa concreta de deslocar o eixo do poder econômico do Estado para a sociedade. Esse processo, no entanto, foi abruptamente interrompido com a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva para seu terceiro mandato.


A atual administração promoveu uma revalorização explícita do centralismo como método de governo. O discurso de coordenação nacional, frequentemente apresentado como sinônimo de justiça social, tem servido para justificar a reconcentração de recursos, a ampliação do controle federal sobre a arrecadação e o enfraquecimento dos pilares constitucionais da autonomia dos estados e municípios. Na prática, esse modelo retoma a lógica segundo a qual o desenvolvimento deve ser planejado e distribuído a partir do topo da estrutura estatal, ignorando tanto a diversidade econômica do país quanto os limites históricos dessa abordagem.


O federalismo brasileiro, já fragilizado por décadas de hipertrofia da União, sofre novo desgaste quando políticas fiscais e tributárias reduzem e quase eliminam a margem de decisão dos entes subnacionais. Estados e municípios passam a depender cada vez mais de transferências condicionadas, sujeitas a critérios políticos e à instabilidade fiscal do governo central. Esse arranjo corrói a responsabilidade local, desestimula a boa gestão e transforma governadores e prefeitos em meros executores de diretrizes definidas à distância, muitas vezes alheias às necessidades reais de suas populações.


Do ponto de vista econômico, a centralização também impõe custos elevados à produtividade e ao crescimento. Economias dinâmicas tendem a se organizar de forma descentralizada, permitindo que decisões sobre investimentos, políticas de incentivo e prioridades orçamentárias sejam tomadas o mais próximo possível de quem produz e consome. Quando o Estado central concentra arrecadação e poder regulatório, cria-se um ambiente de rigidez, no qual erros de política pública se espalham por todo o território nacional, sem espaço para correções locais ou experiências alternativas.


A recente consolidação de um modelo tributário altamente centralizado aprofunda esse problema. Ao retirar dos estados a capacidade de competir por investimentos por meio de políticas fiscais próprias, o governo federal neutraliza um dos poucos mecanismos que ainda estimulavam eficiência e responsabilidade na gestão pública. Esse movimento é agravado pela aprovação do chamado arcabouço fiscal proposto pelo Partido dos Trabalhadores, que, longe de impor um freio real à expansão do gasto público, institucionaliza déficits recorrentes nas contas da União. Ao substituir regras claras de contenção por metas flexíveis e continuamente ajustáveis, o arcabouço cria um ambiente de permissividade fiscal permanente, no qual o aumento da arrecadação passa a ser o único instrumento efetivo para sustentar um Estado em expansão. O resultado tende a ser a homogeneização pela ineficiência, com alíquotas elevadas, baixo retorno em serviços públicos e um cenário hostil ao empreendedorismo, especialmente para pequenas e médias empresas.


A descentralização econômica não significa ausência de Estado, mas sim um Estado limitado, funcional e distribuído. Significa reconhecer que o Brasil não é uma realidade única, mas um conjunto de economias regionais com vocações distintas. Significa permitir que municípios e estados tenham maior controle sobre seus recursos, assumindo também maior responsabilidade por suas escolhas. Significa, sobretudo, confiar mais na sociedade civil, na iniciativa privada e na capacidade de organização espontânea dos indivíduos do que na planificação central.


Ao reverter o processo iniciado em 2019 e restaurar uma lógica de concentração de poder típica de modelos estatistas já superados, o terceiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva recoloca o Brasil em uma rota conhecida de baixo crescimento e perda de competitividade. A experiência histórica, tanto nacional quanto internacional, demonstra que países que prosperam são aqueles que descentralizam decisões, reduzem a interferência estatal e criam ambientes favoráveis à liberdade econômica.


O futuro do Brasil passa, necessariamente, por uma revisão profunda desse modelo centralizador. Descentralizar é uma exigência prática para um país que deseja crescer, inovar e oferecer oportunidades reais à sua população. Sem essa mudança de rumo, o Brasil permanecerá prisioneiro de um Estado inchado, distante da realidade local e incapaz de converter seu imenso potencial em prosperidade concreta.


A verdade custa pouco. Mas vale muito.


Você chegou até aqui porque busca por informações que façam sentido — e não por narrativas fabricadas por quem serve ao Sistema. No Rumo News, nosso compromisso é com a liberdade, a verdade e a inteligência do leitor.


Produzimos nossos conteúdos de forma 100% independente, sem amarras com partidos, governos ou patrocinadores ideológicos. Nosso único financiador é você — o cidadão consciente que se recusa a ser manipulado pela grande mídia.


Assinar o Rumo News leva menos de 1 minuto, custa pouco e oferece muito:


  • Análises profundas sobre economia, política e geopolítica

  • Artigos exclusivos, com dados sólidos e argumentos afiados

  • Uma plataforma segura e sem anúncios


Enquanto eles espalham narrativas, nós entregamos fatos, contexto e coragem.





Se puder, apoie-nos mensalmente adquirindo um plano de assinatura.

Obrigado!


Carlos Dias.

CEO e Editor-Chefe do Rumo News.

O Rumo News é uma produção do
Instituto Democracia e Liberdade.

Copyright © 2025 - Instituto Democracia e Liberdade  -  CNPJ: 46.965.921/0001-90

Confira os Termos de Uso e Condições

Política de Reembolso: Reembolsos serão processados apenas em casos de duplicação de pagamento ou problemas técnicos que impeçam o acesso ao serviço. O reembolso será creditado na mesma forma de pagamento utilizada.

Política de Troca: Devido à natureza dos serviços digitais, não realizamos trocas.

 

Métodos de pagamento disponíveis no site: Cartões de crédito e Pix.
 

Dúvidas, problemas ou sugestões? Entre em contato: contato@institutoidl.org.br

  • Instagram
  • YouTube
bottom of page