Arrecadação federal bate recorde de R$ 264 bilhões em junho
- Núcleo de Notícias
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Governo que mais arrecada da história segue entregando déficits

A Receita Federal informou nesta quinta-feira (30) que a arrecadação federal atingiu R$ 264,437 bilhões em junho, alta real de 7,72% sobre o mesmo mês do ano passado e o maior nível já registrado para o mês. No acumulado do primeiro semestre, a arrecadação chegou a R$ 1,587 trilhão, recorde histórico em série iniciada em 1995.
Os números impressionam até que se olhe para os detalhes. Dois fatores não recorrentes responderam por R$ 7,8 bilhões da arrecadação de junho: R$ 4 bilhões em tributos sobre resultados extraordinários de empresas e R$ 3,8 bilhões em imposto de exportação de petróleo, instituído temporariamente como medida de enfrentamento à guerra no Oriente Médio. Sem esses efeitos atípicos, o crescimento real da arrecadação seria de 4,38%, não os 7,72% divulgados com destaque. O setor de extração de petróleo e gás gerou R$ 15,388 bilhões em receitas, ante R$ 819 milhões em junho de 2025, mais um reflexo da guerra que eleva o preço do petróleo e, consequentemente, a arrecadação sobre sua exportação.
O dado que o governo não coloca em destaque é o mais revelador: o mesmo governo que bate recordes de arrecadação semestre após semestre acumulou déficit primário de R$ 92,98 bilhões no primeiro semestre de 2026. Quando incluídos os juros da dívida, o déficit nominal do semestre chegou a R$ 624,1 bilhões. Em linguagem direta: o governo arrecadou R$ 1,587 trilhão e ainda assim gastou muito mais do que recebeu, deixando um rombo de quase R$ 93 bilhões antes dos juros e de R$ 624 bilhões depois deles.
O Brasil já ocupa a última posição pelo 15º ano consecutivo no índice que mede o retorno de impostos em qualidade de vida entre as nações com maior carga tributária. O contribuinte brasileiro paga impostos em nível de país europeu e recebe serviços públicos abaixo da média emergente. O governo celebra recordes de arrecadação enquanto entrega déficits fiscais crescentes, dívida pública em R$ 9,268 trilhões e Previdência com rombo de R$ 235 bilhões apenas no semestre, resumindo com precisão o problema fiscal brasileiro: não é falta de receita, é excesso de gasto.
