Fed eleva juros para faixa entre 3,75% e 4% em decisão unânime, primeira alta desde 2023
Projeções mostram 16 das 18 autoridades esperando mais um aumento até o fim do ano

O Federal Reserve elevou nesta quarta-feira (16) sua taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para a faixa entre 3,75% e 4%, em decisão unânime do comitê de política monetária. É a primeira alta de juros nos Estados Unidos desde 2023. O Fed mantinha a taxa de referência entre 3,5% e 3,75% desde dezembro, período em que a maioria dos dirigentes considerava que o aumento inflacionário havia sido contido por fatores temporários — avaliação que perdeu força ao longo do ano diante de dados de inflação consistentemente acima do esperado.
As novas projeções de política monetária mostram que 16 das 18 autoridades do Fed preveem pelo menos mais um aumento de 0,25 ponto percentual até o final deste ano, com apenas duas esperando estabilidade das taxas a partir de agora. O presidente do Fed, Kevin Warsh, novamente não apresentou projeção própria de taxa — padrão que já vinha sendo observado desde que assumiu o cargo, no final de maio. Esta foi a primeira mudança de política monetária sob sua gestão, e tanto o comunicado quanto as novas projeções econômicas do Fed sinalizam justamente o caminho oposto ao esperado pelo preisdente Donald Trump: uma postura mais restritiva ao longo do próximo ano, com a taxa projetada para encerrar 2026 na faixa de 4,00% a 4,25% e permanecer no mesmo patamar até o fim de 2027.
"A medida de política de hoje apoiará um retorno mais célere à meta de 2% do Comitê", afirmou o Fed em comunicado após reunião de dois dias. As novas projeções trimestrais elevaram a estimativa de inflação medida pelo índice PCE para 3,7%, ante 3,6% projetados em junho, com previsão de retorno à meta de 2% apenas em 2029 — um ano mais tarde do que se esperava anteriormente. A projeção de crescimento econômico subiu levemente de 2,2% para 2,3%, enquanto a taxa de desemprego deve encerrar o ano em 4,1%, contra os 4,3% projetados em junho.
Em coletiva de imprensa, Kevin Warsh afirmou que a economia americana se fortaleceu desde a reunião de junho, com o mercado de trabalho praticamente em pleno emprego, enquanto as tendências inflacionárias mostraram pouca melhora. "Mesmo nas últimas semanas, acho que agora temos dados, em termos gerais, que indicam que a economia de fato se fortaleceu. O crescimento subjacente está mais alto. A inflação é o problema. A estabilidade dos preços vem sendo o problema há mais de cinco anos e meio", declarou o presidente do Fed, reafirmando o compromisso de reconduzir a inflação à meta de 2% "de forma clara e com velocidade suficiente", elevando juros conforme necessário.
Para o Brasil, a sinalização de juros americanos mais altos por mais tempo reforça o mesmo efeito colateral já observado em rodadas anteriores de aperto monetário nos Estados Unidos e na Europa: com o diferencial de juros entre as economias se estreitando, o apetite por ativos de mercados emergentes tende a diminuir, pressionando o Banco Central brasileiro a manter cautela adicional em relação a qualquer nova rodada de cortes da Selic.





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