Brasil é o país mais prejudicado pelo novo sistema de tarifas americanas, com alíquota efetiva subindo de 11% para 17,7%
Nova tarifa de 12,5% por trabalho forçado entrou em vigor na sexta e elevou carga total a 37,5% para alguns produtos

O Brasil foi o país mais prejudicado pela reformulação das tarifas de importação dos Estados Unidos, com a tarifa efetiva aplicada aos produtos brasileiros subindo de 11% para 17,7%, o maior aumento entre os principais parceiros comerciais americanos, segundo análise do Financial Times publicada nesta sexta-feira (24) com dados da organização independente Global Trade Alert.
Enquanto os produtos brasileiros passaram a enfrentar carga maior, países europeus tiveram redução nas alíquotas. França, Alemanha, Reino Unido e Espanha registraram queda nas tarifas efetivas, com Bélgica, Espanha e Itália entre os maiores beneficiados, com reduções entre um e um ponto e meio percentual. Parte das exportações europeias passou a se enquadrar em exceções criadas pelos EUA para produtos estratégicos como diamantes, cortiça e ferro-gusa. "As tarifas aumentam, principalmente para o Brasil, mas também para a China. Em geral, elas caem para os europeus, ainda que ligeiramente", disse Johannes Fritz, diretor-executivo da Global Trade Alert.
A situação ficou ainda mais grave na sexta-feira. Os Estados Unidos anunciaram na quinta-feira (23) uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros e de outros 59 países, sob a justificativa de que essas nações não combatem de forma eficaz importações produzidas com trabalho forçado. A nova cobrança entrou em vigor nesta sexta-feira. Como parte das exportações brasileiras já estava sujeita à tarifa adicional de 25% que entrou em vigor em 22 de julho, alguns produtos passarão a enfrentar tributação total de até 37,5%.
A mudança no modelo tarifário americano tem uma origem específica: a Suprema Corte dos Estados Unidos considerou ilegais, no início deste ano, as tarifas amplas anunciadas pelo presidente Trump em abril de 2025. Para manter a política comercial sem risco de nova derrubada judicial, o governo americano substituiu a tarifa global temporária de 10% por alíquotas específicas para cada país com base na Seção 301 da Lei de Comércio.
A combinação de 25% pela Seção 301 mais 12,5% pelo trabalho forçado coloca o Brasil numa posição singular de penalização máxima num sistema que ao mesmo tempo alivia a pressão sobre os europeus. O resultado é o custo direto de anos de política externa que privilegiou a retórica antiamericana, a aproximação com a China e a recusa de negociar de boa-fé com Washington — na síntese do próprio secretário de Estado Marco Rubio ao anunciar o tarifaço: "Lula colocou seu próprio ego à frente do bem-estar do povo brasileiro, e essas tarifas são o preço por isso."





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