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Brent atinge US$ 100 por barril pela primeira vez desde maio

Para o Brasil, petróleo no patamar de US$ 100 reabre pressão inflacionária e reduz espaço para corte da Selic em agosto



O petróleo Brent, referência global, atingiu nesta quinta-feira (23) a marca de US$ 100 por barril pela primeira vez desde o final de maio, antes da mais recente escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã. O nível representa a reversão completa do alívio gerado pelo memorando de entendimento de 14 de junho, quando o barril havia chegado a cair abaixo de US$ 72.


Nos Estados Unidos, os preços nos postos já refletem a alta. O preço médio da gasolina comum subiu quase 4% em uma semana, passando de US$ 3,94 para US$ 4,09 por galão. O movimento ocorre após o colapso do cessar-fogo no início deste mês, que levou os EUA a retomar o bloqueio naval ao Irã e a conduzir 12 noites consecutivas de ataques aéreos ao país, enquanto o Irã continuou atacando navios comerciais no Estreito de Ormuz e os houthis abriram nova frente atacando petroleiros sauditas no Mar Vermelho.


Para o Brasil, o Brent a US$ 100 por barril é uma das piores notícias possíveis num momento já delicado para a política monetária. O IPCA de junho havia surpreendido positivamente com alta de 0,16%, reavivando as apostas num corte de 0,25 ponto na Selic na reunião do Copom de 4 e 5 de agosto. Essa janela se fechou rapidamente com a retomada do conflito e o petróleo voltando ao patamar de três dígitos. Com o Brent a US$ 100, os combustíveis no Brasil tendem a se encarecer nas próximas semanas, pressionando o IPCA de julho e agosto num momento em que o próprio Ministério da Fazenda já havia elevado a projeção de inflação para 5,1% em 2026, bem acima do teto da meta de 4,5%.


O Banco Central, que havia sinalizado postura mais cautelosa na ata de junho ao apontar "riscos assimétricos na direção altista" para a inflação, terá agora dados concretos de pressão energética para justificar uma pausa no ciclo de cortes. Com o El Niño adicionando pressão sobre os alimentos, as tarifas americanas de 25% sobre produtos brasileiros entrando em vigor nesta semana e o petróleo acima de US$ 100, o caminho para novos cortes da Selic em agosto ficou significativamente mais estreito.



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