Carlos Dias lança Caderno de Conjuntura que rebate o “Plano Real dos juros” de André Lara Resende
Volume 17 da série, divulgado nesta segunda-feira, sustenta que a Selic alta reflete a indisciplina fiscal e que tabelar o juro termina em inflação

O Instituto Democracia e Liberdade (IDL) e o Rumo News lançaram nesta segunda-feira (2), o Volume 17 dos Cadernos de Conjuntura, de autoria de Carlos Dias, com o título “O Plano Real dos juros: uma promessa que termina em inflação”. O material examina a proposta do economista André Lara Resende, um dos formuladores dos planos Cruzado e Real, de reduzir a Selic dos atuais 13,75% para cerca de 7,5% em 12 meses e, depois, fixá-la numa faixa permanente entre 3% e 5,5% ao ano, com a criação de um Conselho Fiscal e Monetário Nacional.
O lançamento ocorre no momento em que o tema chegou ao centro do debate político. A proposta foi detalhada em artigo publicado em 25 de setembro, “Eu acuso: uma proposta para eliminar os juros absurdos”, em que o economista afirma acusar o Banco Central de sustentar, “em nome de uma teoria anacrônica”, a taxa que seria a principal causa do desequilíbrio fiscal. Neste fim de semana, a imprensa informou que ele deve se reunir com o presidente Lula nesta semana, em Brasília, às vésperas da decisão do Comitê de Política Monetária, marcada para quarta-feira (4).
O caderno parte de um reconhecimento: a aritmética de Lara Resende está correta. Segundo o texto, o custo médio da dívida pública chegou a 12,68% ao ano em junho de 2026, sobre uma dívida bruta de R$ 10,9 trilhões, em torno de 82,5% do PIB, e a conta anual de juros alcança R$ 1,4 trilhão, ou 10,5% do PIB, enquanto o PIB nominal cresce cerca de 7% ao ano. O serviço da dívida, e não o déficit primário, seria o principal motor da deterioração fiscal brasileira. A divergência está na causalidade. Para o autor, que se apoia na tradição da Escola Austríaca, de Carl Menger, Ludwig von Mises e Friedrich Hayek, além de David Hume e Richard Cantillon, a Selic é alta porque o Estado ampliou despesas e elevou o risco percebido pelos credores, e não o contrário. O caderno cita que a relação dívida/PIB subiu 10,2 pontos percentuais no governo atual, a segunda maior alta entre os países do G20, e compara baixar o juro por decreto a “pintar o termômetro para curar a febre”.
O Volume 17 também propõe uma alternativa. Em vez de baixar o juro por decreto, o autor defende atacar a origem do problema, e apresenta uma proposta de regra constitucional com consequências para os gestores públicos, desenvolvida em parceria com o professor Paulo Kramer.
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