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Citi e BCA Research rebaixam ativos brasileiros após a reeleição de Lula

há 20 horas
2 min de leitura

Citi zera posições otimistas em ações e no real, e BCA põe ações, títulos em moeda local e crédito soberano em “underweight”



O Citigroup e a BCA Research rebaixaram a recomendação dos ativos brasileiros depois da vitória eleitoral do presidente Lula (PT). As duas casas argumentam que o perfil de risco e retorno de ações, títulos e moeda piorou, à medida que os investidores reavaliam as perspectivas de disciplina fiscal e de reformas estruturais sob o novo governo.


O Citi encerrou na segunda-feira (26) suas posições otimistas no Brasil, ao retirar a recomendação de “overweight” em ações, o que significa deixar de indicar que a Bolsa deveria ter peso maior que o do índice de referência, e ao encerrar a posição comprada no real. “Embora os preços possam muito bem cair além dos níveis justos, o mercado já estava otimista antes disso, o que torna plausível uma queda excessiva. Dado o resultado da eleição, encerramos nossa exposição ao risco no Brasil”, afirmou o banco.


A BCA Research foi mais dura. A consultoria rebaixou o Brasil em relação aos demais mercados emergentes e disse que a vitória de Lula “acaba com a perspectiva de um governo ortodoxo que promova melhorias estruturais nas contas fiscais e no crescimento potencial do Brasil”. Cortou as ações brasileiras de “neutro” para “underweight”, citando riscos crescentes de inadimplência, perspectivas de crescimento mais fracas e pressões inflacionárias causadas por uma moeda mais fraca. Também rebaixou de “overweight” para “underweight” os títulos em moeda local e o crédito soberano, ao alertar para a deterioração da dinâmica da dívida.


As avaliações refletem uma mudança mais ampla no posicionamento dos investidores. Estrategistas alertam que uma política fiscal mais frouxa, uma trajetória mais fraca da dívida pública e um avanço mais lento das reformas voltadas ao crescimento podem pesar sobre os mercados brasileiros, mesmo com as restrições impostas por um Congresso mais conservador.


Os rebaixamentos vêm depois de um dos piores dias da história da Bolsa. Na segunda-feira, o Ibovespa caiu 13,9%, a maior queda diária desde março de 2020, e o real chegou a perder mais de 11% em relação ao dólar, que fechou com alta de 8,25%, a cerca de R$ 5,40.


O diagnóstico das casas converge com o que os números já mostram. O governo central acumula déficit primário de R$ 94,9 bilhões em oito meses de 2026, a dívida bruta chegou a 82,9% do PIB, com projeção de 87% em 2027, e o Brasil perdeu a posição de credor internacional. A inflação está em 4,62% em 12 meses, acima do teto da meta, e a Selic, em 13,75% ao ano, segue entre as mais altas do mundo.


Carlos Dias, FRSA. Assine o Rumo News!
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