Risco-país dispara 26% após a reeleição de Lula, e CDS de 5 anos vai a 151,7 pontos, o maior nível em 16 meses
Indicador que mede o custo do seguro contra calote da dívida brasileira saiu de menos de 108 pontos depois do primeiro turno, e o Morgan Stanley vê mais 40 pontos de alta

O Credit Default Swap (CDS) de cinco anos do Brasil, derivativo que protege contra calotes na dívida soberana e funciona como termômetro do risco-país, subiu 26% na segunda-feira (26) e passou a operar em 151,7 pontos. Na sexta-feira (23), véspera do segundo turno, estava em 120,2 pontos. É o maior patamar desde junho de 2025, e a alta em três dias passa de 30 pontos. O número é do levantamento da S&P Global Market Intelligence, que registrou 151,67 pontos-base na marcação de segunda-feira.
O CDS é cotado em pontos-base, e 100 pontos-base correspondem a 1 ponto percentual ao ano. Um indicador de 151,67 significa que o custo anual de proteção contra um calote do país é de cerca de 1,52% do valor da dívida segurada, ou US$ 1,52 milhão por ano para cada US$ 100 milhões. Quanto maior o número, maior a desconfiança do mercado na capacidade de pagamento do governo.
O movimento desfaz por completo o ganho de outubro. Ao fim do primeiro turno, com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à frente, o CDS chegou a cair para menos de 108 pontos, o menor nível em seis anos. Depois, voltou a subir em meio às dúvidas eleitorais, já que algumas pesquisas mostravam empate técnico, mas sem embutir nas cotações uma vitória de Lula. O resultado de domingo (25) surpreendeu o mercado, que esperava a vitória do senador, e obrigou os investidores a recalibrar as carteiras diante da perspectiva de uma política fiscal mais leniente nos próximos quatro anos.
Os estrategistas do Morgan Stanley avaliam que o risco fiscal em alta ameaça ações, moeda e títulos da dívida brasileira, e que o CDS pode subir mais 40 pontos, o que o levaria a perto de 192, enquanto o dólar pode chegar a R$ 6,00 se as pressões fiscais se intensificarem. O banco já projetava uma queda de 20% a 30% na Bolsa. Nesta terça-feira (27), o Citigroup e a BCA Research rebaixaram os ativos brasileiros, a BCA justamente por entender que a vitória de Lula “acaba com a perspectiva de um governo ortodoxo que promova melhorias estruturais nas contas fiscais”.





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