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“Brasil votou pelo caos econômico”, diz colunista da The Spectator após a reeleição de Lula

há 17 horas
3 min de leitura

Matthew Lynn escreve que a vitória do petista interrompeu a guinada à direita na América do Sul e que o tombo dos ativos na segunda-feira mostra o veredito dos mercados sobre o novo mandato



A revista britânica The Spectator publicou um artigo de opinião do colunista financeiro Matthew Lynn, autor de livros sobre a crise da dívida soberana na Europa, sob a tese de que o Brasil “votou pelo caos econômico”. Segundo ele, a reeleição de Lula (PT) sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) interrompeu o movimento à direita na América do Sul e derrotou um dos principais aliados regionais do presidente Donald Trump, e foi celebrada pela esquerda global, mas ignorou o que os investidores disseram em seguida.


O autor descreve a segunda-feira como uma debandada de ações e, sobretudo, de títulos. Cita queda de mais de 15% do Ibovespa, perda de até um décimo do valor do real, a pior sessão da moeda desde 1999, e salto do rendimento do título local de dez anos de 13% para mais de 15% em um único pregão, com o cancelamento de dois leilões de dívida. Os números oficiais mostram que o índice fechou em queda de 13,88%, com mínima de 17,34% no dia, e que o dólar subiu mais de 8%, a cerca de R$ 5,40, a maior variação diária desde janeiro de 1999.


Para Matthew Lynn, a liquidação “fazia todo o sentido”. Os investidores esperavam uma vitória de Flávio Bolsonaro, com menos impostos, controle de gastos e reformas pró-mercado, e montaram as carteiras para um rali depois da eleição, ao ponto de, na véspera, os mercados de previsão, cada vez mais tratados como verdade em Wall Street, darem à direita 80% de chance de vitória, segundo o texto. Quando essa perspectiva desapareceu, as posições foram desfeitas o mais rápido possível. O colunista acrescenta que o resultado apertado e as muitas alegações de interferência judicial tendem a deixar o sistema político travado por anos, e que incerteza dessa magnitude nunca ajuda a economia.


A crítica ao governo é dura. Matthew Lynn afirma que Lula, “como tantas vezes no passado”, fez campanha com compensações em massa ao eleitorado, com um pacote de benefícios que, conforme o critério, soma de R$ 180 bilhões a R$ 220 bilhões, e que a plataforma reuniu a relançada Bolsa Família, paga a mais de 20 milhões de famílias, política industrial verde e um papel maior para estatais e bancos públicos, com pouca atenção ao financiamento. A dívida já subiu mais de 10 pontos do PIB no mandato atual e caminha para 90%. O momento é o pior possível, segundo ele, porque os rendimentos dos títulos sobem no mundo todo, a França já enfrenta problemas com os mercados e o Reino Unido está à beira deles. O Brasil, escreve, escolheu a pior hora para brigar com os “vigilantes dos títulos”, e o custo de se endividar já ficou mais alto, mesmo para países com histórico de pagamento melhor.


O autor lembra que ainda podem vir novas tarifas do governo Trump, que os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do país, atrás da China, e que o investimento estrangeiro deve ficar em suspenso, o que torna difícil ver a economia crescendo de forma relevante neste ano. Ele conclui que o Brasil já deu calote entre sete e nove vezes em sua história, a depender da contagem, e que não há razão para que uma décima não seja somada à lista, e que “os mercados já deram seu veredito” sobre o governo reeleito.


O diagnóstico converge com o de bancos e consultorias. O Citi e a BCA Research rebaixaram os ativos brasileiros, o CDS de cinco anos subiu 26%, a 151,7 pontos, o maior nível em 16 meses, e o Morgan Stanley projeta que a Bolsa pode perder de 20% a 30% e o dólar chegar a R$ 6 se as pressões fiscais se intensificarem. O governo central acumula déficit primário de R$ 94,9 bilhões em 2026, e o presidente reeleito ainda não anunciou a equipe econômica.


Carlos Dias, FRSA. Assine o Rumo News!
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