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Facções expandem domínio na Amazônia Legal e região se torna a mais violenta do país

Avanço do PCC e do Comando Vermelho dobra número de municípios sob influência criminosa e expõe conexão entre narcotráfico e crimes ambientais




O Crime Organizado ampliou fortemente seu domínio sobre Amazônia Legal. Levantamento recente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) revela que o número de municípios sob influência direta de organizações criminosas praticamente dobrou em dois anos — passando de 178, em 2023, para 344 em 2025. O dado confirma a consolidação territorial de grupos como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho, que ampliaram sua presença em áreas estratégicas da região.


O reflexo aparece nos indicadores: a taxa de homicídios na Amazônia Legal atingiu 27,3 mortes por 100 mil habitantes, patamar 31% acima da média brasileira. O Amapá ocupa a primeira posição no ranking nacional de violência, cenário associado à disputa por rotas logísticas fundamentais ao tráfico.


A dinâmica criminosa na região não se limita ao tráfico de drogas. Há uma interconexão crescente entre narcotráfico e delitos ambientais. Garimpo ilegal, grilagem de terras e desmatamento operam com infraestrutura compartilhada, inclusive no uso de pistas clandestinas e transporte aéreo.


Segundo o levantamento, os mesmos meios empregados para escoar ouro extraído ilegalmente também servem ao transporte de entorpecentes. Essa confluência fortalece financeiramente as facções e amplia sua capacidade armada, elevando o risco para agentes públicos, produtores rurais e comunidades tradicionais.


O avanço das facções também revela um problema estrutural: onde não há desenvolvimento consistente, presença efetiva da economia formal, geração de empregos, instalação de fábricas e aproveitamento legal das riquezas naturais, o crime organizado tende a ocupar o espaço deixado pelo Estado e pela atividade produtiva. Em vastas áreas da Amazônia, onde as barreiras impostas pela legislação ambiental, produzida em 2012, inibiu alternativas econômicas sustentáveis, consolidando a presença e influência de ONGs internacionais e de organizações criminosas.


Há relatos de aliciamento de jovens indígenas, especialmente entre 12 e 16 anos, para o microtráfico, além do aumento do consumo de drogas dentro de aldeias. O domínio territorial também inibe denúncias e dificulta o acesso das vítimas à proteção estatal.


Outro dado preocupante é a taxa de estupros na Amazônia Legal, 36,8% superior à média nacional — indicador que reflete tanto a vulnerabilidade social quanto a fragilidade das estruturas de proteção.


O atual modelo regulatório ambiental brasileiro, especialmente à luz do Código Florestal, demonstra descompasso com a realidade socioeconômica da região. A ausência de políticas que conciliem conservação ambiental com dinamismo econômico acaba ampliando a informalidade e a atuação clandestina.


É possível — e necessário — combinar administração consciente dos recursos naturais com avanço econômico, fortalecimento da livre iniciativa e geração de oportunidades para as populações locais. Quando a Amazônia deixa de ser tratada como ativo natural estratégico, capaz de gerar riqueza de forma legal e sustentável, abre-se espaço para que estruturas externas de controle e internas criminosas, assumam a gestão de territórios e cadeias produtivas.


Sem integração entre segurança pública, desenvolvimento econômico e gestão ambiental eficiente, a tendência é de aprofundamento do domínio das facções sobre uma das regiões mais importantes do país.



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