Flávio Bolsonaro: união sem princípios é rendição
- Carlos Dias

- 17 de jan.
- 3 min de leitura

Flávio Bolsonaro, a pergunta correta não é “por que a direita não se une?” A pergunta seria: união com que direita, sob quais termos e para alcançar o quê?
Porque, quando “união” vira palavra de ordem sem conteúdo, ela se transforma em instrumento de enquadramento do eleitor: serve para pedir silêncio, exigir obediência e, em troca, oferecer a continuidade do mesmo método que empurrou o Brasil para a decadência.
Há uma distância grande entre uma direita de valores, responsabilidade e reformas e uma “direita” reduzida a gestão de emendas, conveniência e autopreservação. O Brasil não precisa de um condomínio eleitoral. Precisa de uma coalizão com compromissos verificáveis, capaz de quebrar o ciclo do patrimonialismo, da política de privilégios e do gasto sem freio.
E aqui vai um ponto direto: não somos massa guiada. O eleitor conservador e liberal não pode ser tratado como tropa de manobra, convocada apenas para votar e calar. União só existe quando há sinceridade de propósito, coerência entre discurso e prática e disposição real de enfrentar interesses instalados.
Se a proposta é falar em união, então comecemos pelo básico: critérios objetivos, públicos e cobrados. Sem isso, “união” vira apenas um atalho para reembalar o Centrão e normalizar o velho arranjo.
Os critérios são simples:
Emendas: compromisso com limites estritos, transparência integral e rastreabilidade — sem orçamento paralelo, sem captura do gasto por redes locais e sem “governabilidade” comprada.
Regra fiscal: defesa de um teto real para a expansão da despesa, com gatilhos automáticos e sem exceções fabricadas. Ajuste que só mexe em receita é maquiagem.
Dívida e gasto obrigatório: plano explícito para desindexar, rever vinculações, cortar ineficiências e enfrentar privilégios, em vez de empurrar a conta para juros altos, crédito caro e estagnação.
Privatizações e desestatização: agenda com cronograma e metas, não retórica. Menos Estado empresário, menos intervencionismo, mais investimento, concorrência e produtividade.
Reforma tributária: desastroso “presente” do Congresso para a sociedade. Rejeição frontal a um modelo que eleva o poder de confisco, amplia a incerteza, adensa burocracia e cria espaço para alíquotas crescentes sob o pretexto de “harmonização”. Reforma boa reduz carga, simplifica de verdade e dá previsibilidade; o resto é expansão fiscal disfarçada.
Pauta de valores e ordem institucional: coerência na defesa da vida, da família, da liberdade e da segurança pública, sem recuos táticos quando a pressão aumenta.
E há um ponto econômico incontornável: sem previsibilidade fiscal e sem disciplina do gasto, o país paga em prêmio de risco, custo do crédito, câmbio pior e menos investimento produtivo. Isso não se trata de retórica, mas de mecanismo. Uma vez que a política escolhe improviso e acomodação, a economia responde encarecendo o capital e tirando horizonte, fazendo com que a sociedade perca futuro.
Por isso, Flávio, não dá para aceitar “pragmatismo” como senha para a rendição. Pragmatismo sem princípios é capitulação com verniz.
Se a sua convocação é por unidade, ela precisa vir acompanhada de compromissos claros, votos consistentes, metas e prazos. Do contrário, não é união: é submissão do eleitor a um arranjo que pede legitimação para continuar igual.
Chega de encenação e de ilusionismo. União só faz sentido com aliados reais, em torno de uma agenda que conserte o Estado, enfrente privilégios e devolva ao Brasil crescimento com ordem, e não mais um acordo para preservar carreiras e verbas.
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