Ibovespa cai pelo quinto pregão seguido e fecha uma das piores semanas de sua história
Índice perde quase 20% em relação ao recorde de 9 de outubro e o dólar sobe a R$ 5,44

O Ibovespa fechou a sexta-feira (30) em queda de 0,75%, aos 167.921,80 pontos, com volume financeiro de aproximadamente R$ 42,2 bilhões. É o quinto pregão consecutivo de baixa desde a reeleição do presidente Lula (PT) e uma das piores semanas do índice: a perda foi de 18,1% em relação ao fechamento de 23 de outubro, de 205.082,56 pontos, superior à queda de 15,6% da semana da pandemia, em março de 2020. Em relação ao recorde de fechamento, de 209.066,90 pontos, registrado em 9 de outubro, o índice está quase 20% abaixo. Em outubro, a queda é de cerca de 9,8%, e no ano a alta se reduziu a pouco mais de 4%, depois de o índice ter chegado a acumular quase 30%.
A sessão manteve o padrão da semana. Os bancos continuaram entre as maiores pressões negativas, com perdas do Bradesco e do Itaú, assim como as varejistas, entre elas a C&A e o Assaí, e a B3. Na contramão, a Vale e a Petrobras avançaram. A Vale divulgou o balanço do terceiro trimestre na noite de quinta-feira (29), com lucro 53% menor que o de um ano antes, segundo o noticiário, e abriu em baixa, mas virou para o positivo ao longo do dia, beneficiada pelo câmbio. A Petrobras acompanhou o petróleo, que subiu cerca de 2% e chegou a US$ 113 por barril no tipo Brent. O dólar comercial subiu a cerca de R$ 5,44, e os juros futuros avançaram. No exterior, as bolsas de Nova York caíram com os balanços frustrantes da Amazon e da Intel.
O diagnóstico do mercado não mudou. O que pesa, segundo analistas, é a ausência de um plano fiscal crível e as dúvidas sobre a equipe econômica de 2027. Nesta semana, o ministro José Guimarães afirmou que o ajuste fiscal não é prioridade, o ministro Guilherme Boulos disse que quem defende o ajuste “não entendeu nada” da eleição. A Instituição Fiscal Independente, do Senado, elevou a projeção da dívida bruta para 124,4% do PIB em 2036, o Banco Central mostrou que o endividamento das famílias chegou a 50,1% da renda, e o CDS de cinco anos, medida do risco de calote, subiu 26%.
A avaliação de que a queda pode não ter terminado ganhou reforço no relatório do Bradesco BBI, que mostrou que o recuo de 18,7% do MSCI Brazil em dólar, na segunda-feira, foi o maior da história moderna do mercado, que recuperações depois de choques eleitorais em países emergentes costumam levar meses ou anos e que 74 das 106 empresas sob sua cobertura podem sofrer cortes de lucro se a nova trajetória da Selic se mantiver. Antes, o Citi e a BCA Research rebaixaram os ativos brasileiros, e o Morgan Stanley projetou que a Bolsa pode perder de 20% a 30%.
A semana que vem traz o Comitê de Política Monetária, na quarta-feira (4), com a Selic em 13,75% ao ano, além de novos balanços de bancos e a expectativa por qualquer sinal do governo sobre o rumo fiscal e a composição da equipe econômica.





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