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O mercado, a classe política e o atraso tecnológico do Brasil


O Brasil precisa se desenvolver tecnologicamente de maneira efetiva, e o comportamento do mercado de ações demonstra, com clareza, o quanto o país está atrasado nessa frente. Ainda que o mercado não revele, por si só, os motivos que levam a classe política a obstruir esse caminho, é inegável que ela carrega parcela relevante de responsabilidade pelo atraso que os números evidenciam. 


Enquanto o investidor comum norte-americano dispõe da possibilidade de alocar seus recursos em companhias que efetivamente redesenham o futuro da humanidade, o investidor brasileiro permanece restrito, na prática, ao que sempre funcionou por aqui: bancos, elétricas, saneamento, seguradoras e commodities. Trata-se, sem dúvida, de setores relevantes, bem regulamentados e capazes de proporcionar retorno. Ainda assim, quase nenhum deles possui capacidade real de transformar a sociedade, de originar novos mercados ou de gerar riqueza em escala extraordinária.


O contraste com os Estados Unidos é evidente. Lá, o investidor tem à disposição companhias como a Nvidia, responsável pelos chips e pela infraestrutura que sustentam a inteligência artificial contemporânea; a Microsoft e a Alphabet, protagonistas do avanço em software, computação em nuvem e IA em escala global; a Tesla, que impulsiona os veículos elétricos, a direção autônoma e a robótica; além de companhias e projetos vinculados à exploração espacial, entre os quais se destaca o ecossistema construído em torno da SpaceX. Somam-se a esse conjunto fabricantes de hardware de ponta capazes de redefinir indústrias inteiras, alterando substancialmente o modo como a humanidade trabalha, se desloca e se comunica.


Tais empresas não se limitam a crescer: elas produzem valor em ritmo e em magnitude que o restante do mundo dificilmente consegue acompanhar. Não é casual que a Nvidia, isoladamente, valha hoje cerca de US$ 5,4 trilhões — montante que corresponde a diversas vezes o valor de mercado de todas as companhias listadas na B3 somadas, hoje estimado entre US$ 0,9 trilhão e US$ 1,1 trilhão. Uma única empresa americana do setor de chips para inteligência artificial vale, portanto, mais do que toda a bolsa brasileira reunida. Esse dado não é fruto do acaso, mas o resultado direto de uma cultura que recompensa a assunção de risco, estimula a inovação, atrai capital de longo prazo e opera sob regras previsíveis.


No Brasil, por sua vez, o mercado acionário reflete um arranjo político marcado por um autêntico patrimonialismo: o interesse de manter determinados setores sob o comando de forças políticas específicas, sustentados por benefícios, subsídios e concessões, reproduz-se hoje em praticamente todos os estados da federação. A esse arranjo somam-se barreiras internas criadas pela própria legislação, que restringem o espaço para a aplicação de recursos e desestimulam o investimento em pesquisa e desenvolvimento. Falta, ainda, uma educação capaz de concorrer com os padrões das melhores escolas internacionais, o que compromete a formação da mão de obra qualificada indispensável à inovação tecnológica. As universidades públicas, capturadas estrategicamente pela esquerda nas últimas décadas, estimulam a incapacidade, o raciocínio enviesado e a aversão ao verdadeiro conhecimento. Empreender em tecnologia de ponta no país significa, assim, nadar contra uma corrente composta por burocracia excessiva e regulações que não favorecem a pesquisa aplicada. A bolsa permanece dominada por negócios tradicionais e considerados seguros — necessários, sem dúvida, mas absolutamente insuficientes para uma nação de mais de duzentos milhões de habitantes que aspira, ou deveria aspirar, a uma prosperidade real. 


Enquanto o Brasil não desenvolver um verdadeiro projeto de nação, seguirá exportando talentos e importando tecnologia, condenado a assistir, à distância, companhias estrangeiras valerem mais do que toda a sua economia listada em bolsa. O desenvolvimento tecnológico representa um caminho efetivo para a geração de riqueza legítima, de empregos de alto valor agregado e de soberania nacional. O mercado de ações já vem sinalizando essa realidade há anos. Resta saber quando a classe política deixará de ser um grande empecilho nos rumos da nação.



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