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Santiago Peña é preso horas depois de ser destituído da presidência do Paraguai

há 4 horas
3 min de leitura

Ordem do Ministério Público, que também atinge o ex-presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, investiga o colapso do Ueno Bank



O ex-presidente do Paraguai Santiago Peña foi preso na sexta-feira (6), em Assunção, poucas horas depois de perder o cargo por decisão do Senado. Ele cumpre prisão domiciliar, por determinação do Ministério Público, até ser colocado à disposição das autoridades que conduzem a investigação sobre irregularidades no Ueno Bank. A mesma ordem alcança Carlos Dagoberto Carvallo Spalding, ex-presidente do Banco Central do Paraguai, que deve ficar detido em unidade indicada pelo Comando da Polícia Nacional. Os mandados foram expedidos por promotores das unidades de Crimes Econômicos e Anticorrupção e de Crimes Informáticos.


A destituição foi o último passo de um processo que se acelerou em poucos dias. Peña chegou a anunciar nas redes sociais que havia apresentado renúncia para evitar o aprofundamento da instabilidade, mas a saída acabou formalizada pelo impeachment. A Câmara dos Deputados já havia respaldado o afastamento, e o Senado aprovou a destituição por 44 votos favoráveis e uma abstenção. Peña não compareceu à sessão. Sua defesa, conduzida pelos advogados Ricardo Preda e Adolfo Ferreiro, pediu mais prazo para se preparar, e o pedido foi rejeitado. O vice-presidente, Pedro Alliana, assumiu o comando do país.


O estopim foi o colapso do Ueno Bank, que teve as atividades encerradas na terça-feira (3), quando o Banco Central iniciou a liquidação ao identificar problemas de solvência ligados a empréstimos concedidos a empresas vinculadas à própria instituição. O banco, do Grupo Vázquez, tinha cerca de 3 milhões de clientes e reunia aproximadamente US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social (IPS). A crise provocou apreensão entre correntistas e protestos pelo país.


A relação de Peña com o grupo está no centro das acusações. Ele foi acionista da Ueno Holding até março de 2025 e, em declaração patrimonial de 2023, informou ações avaliadas em 6,144 bilhões de guaranis, cerca de R$ 5,4 milhões, além de um certificado de depósito de 2,4 bilhões de guaranis no próprio Ueno Bank e um título da fintech Itti. Seu irmão aparece como sócio da U Holding SARL, apontada como uma das estruturas usadas pelo grupo para controlar o banco. As suspeitas incluem conflito de interesses, interferência regulatória e uso irregular de recursos públicos, e a ordem de prisão menciona crimes como lesão de confiança, tráfico de influência e administração em proveito próprio. Peña nega irregularidades.


Uma nova denúncia de parlamentares, apresentada na quinta-feira (5), ampliou uma representação protocolada em outubro de 2025. O documento afirma que o Banco Central sabia das dificuldades financeiras do Ueno desde abril de 2026 e não agiu para evitar o agravamento, e cita Carvallo por sua responsabilidade à frente da autoridade monetária. A representação também pede a apuração dos depósitos públicos no banco, que incluíam, além do IPS, recursos da usina binacional de Itaipu, compartilhada com o Brasil, da entidade Yacyretá, administrada com a Argentina, e do Ministério da Economia. Os parlamentares querem saber quem autorizou as operações e se houve prejuízo aos cofres públicos ou combinação entre os responsáveis.


Na defesa, os advogados sustentaram que a acusação não demonstrou participação direta de Peña nas decisões sobre o banco, e Preda afirmou que o próprio Banco Central autorizou a incorporação do Visión Banco pelo Ueno. Em manifestação pública antes da votação, o então presidente disse que os responsáveis pelas irregularidades deveriam responder à Justiça e pediu que os setores políticos priorizassem os poupadores atingidos. Ele também promulgou uma lei para acelerar a devolução dos valores aos clientes do banco.


Carlos Dias, FRSA. Assine o Rumo News!
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