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Semana da reeleição de Lula entra para a história do Ibovespa: queda de 13,88% em um dia e perda de 18% em 5 pregões

há 21 horas
3 min de leitura

Fechamento de 26 de outubro é a quinta maior baixa diária desde o Plano Real e, no pior momento do pregão, o índice chegou a cair 17,34%, num episódio em que, diferentemente da maioria dos precedentes, o motor foi doméstico



O Ibovespa fechou a segunda-feira (26), primeiro pregão depois da reeleição do presidente Lula (PT), em queda de 13,88%, aos 176.608,23 pontos, e encerrou a semana, na sexta-feira (30), a 167.921,80, uma perda de 18,1% em relação ao fechamento de 23 de outubro, de 205.082,56. Os números colocam o episódio entre os mais severos da história da Bolsa brasileira.


Pelo fechamento, as maiores quedas diárias do Ibovespa foram:


  • 21/03/1990: −22,27%, no terceiro pregão depois do anúncio do Plano Collor, que congelou as cadernetas de poupança. É a maior da série.

  • 20/03/1990: −20,95%, no pregão anterior, também sob efeito do Plano Collor.


Desde o Plano Real, em 1994, o ranking é:


  • 10/09/1998: −15,83%, com a moratória da Rússia.

  • 27/10/1997: −14,98%, no auge da crise asiática.

  • 12/03/2020: −14,78%, quando a Covid-19 foi declarada pandemia.

  • 16/03/2020: −13,92%, na sequência da pandemia.

  • 26/10/2026: −13,88%, no primeiro pregão depois da reeleição de Lula, a quinta maior desde 1994 e a maior desde março de 2020.

  • 09/03/2020: −12,17%, também na pandemia.

  • 15/10/2008: −11,4%, na crise global agravada pela quebra do Lehman Brothers.

  • 18/03/2020: −10,35%, ainda na pandemia.

  • 12/11/1997: −10,2%, durante a crise asiática.


No pior momento do dia, o índice chegou a cair 17,34%, a 169.516,43 pontos, e na abertura do pregão a queda de 16,26% já superava qualquer fechamento diário desde o Plano Real. O circuit breaker, mecanismo criado em 1997 que suspende as negociações por 30 minutos quando o índice cai 10%, foi acionado pela primeira vez desde março de 2020, antes mesmo do início do pregão, porque o preço teórico do leilão de abertura já indicava queda superior a 20%. O índice de referência em dólar, o MSCI Brazil, caiu 18,7% no dia, segundo o Bradesco BBI, a maior baixa diária da história moderna do mercado, acima das de 2008, da pandemia e da crise provocada pelas gravações de Michel Temer, em 2017. Em valor de mercado, as empresas listadas perderam R$ 734 bilhões no dia, queda de 12,91%.


O desempenho semanal também figura entre os piores. A perda de 18,1% é maior que a da semana da pandemia, em março de 2020, de 15,6%, e equivale à registrada na semana do 11 de setembro de 2001, também de cerca de 18,1%, segundo levantamento publicado anteriormente pelo Instituto Liberal. Em relação ao recorde de fechamento, de 209.066,90 pontos, registrado em 9 de outubro, o índice está quase 20% abaixo. Foram cinco quedas seguidas, e, em outubro, a perda é de cerca de 9,8%.


A origem do movimento é o que distingue o episódio. Nove das dez maiores quedas diárias anteriores ao dia 26 estavam ligadas a acontecimentos internacionais, como as crises da Ásia, da Rússia e a pandemia. Desta vez, o gatilho foi doméstico: a virada do resultado eleitoral, que desfez a aposta de semanas numa mudança de rumo da política econômica, somada à ausência de um plano fiscal. O governo central acumula déficit primário de aproximadamente R$ 94 bilhões em 2026.


A história recomenda cautela. Grandes quedas costumam vir em grupos, e em 1997, 2008 e 2020 a primeira baixa foi seguida de outras maiores. O Bradesco BBI contabiliza 18 quedas diárias superiores a 10% desde o início da década de 1990, com recuperação média de cerca de três meses, mas lembra que, em eleições que provocaram choques em países emergentes, os mercados seguiam em média 11% abaixo três meses depois e só se recuperaram de forma relevante, em muitos casos, cerca de dois anos mais tarde.


Carlos Dias, FRSA. Assine o Rumo News!
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