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TCU aponta que estatais no governo Lula acumulam déficit de R$ 18,5 bilhões e consomem recursos de políticas públicas

91% do contingenciamento de R$ 3,29 bilhões em 2025 foi usado para cobrir rombos de empresas que deveriam se sustentar



O Tribunal de Contas da União apontou que o aumento dos déficits das empresas estatais federais não dependentes passou a pressionar as contas públicas e obrigou o governo Lula a remanejar recursos originalmente destinados a políticas públicas, segundo parecer sobre as contas presidenciais de 2025 revelado pela Gazeta do Povo.


Os números são reveladores: das estatais não dependentes — empresas que em tese deveriam se sustentar com receitas próprias sem aportes permanentes do Tesouro — acumularam déficit de R$ 18,48 bilhões entre janeiro de 2023 e maio de 2026. Nos cinco primeiros meses deste ano, o rombo já chegava a R$ 5,96 bilhões. A sequência é de deterioração contínua: R$ 656 milhões de déficit em 2023, R$ 6,73 bilhões em 2024 e R$ 5,13 bilhões em 2025.


O contraste com o período anterior é devastador para a narrativa do governo. Entre 2019 e 2022, essas mesmas estatais registraram superávit acumulado de R$ 17,46 bilhões, com resultados positivos em três dos quatro anos. Apenas 2020 apresentou déficit, justificado pelos efeitos da pandemia. Em outras palavras, o governo Lula transformou um ativo que gerava superávit de R$ 17,5 bilhões num passivo que acumula déficit de R$ 18,5 bilhões — uma reversão de mais de R$ 36 bilhões no desempenho das empresas estatais em menos de quatro anos.


Para cobrir esses rombos, o governo foi forçado a contingenciar recursos de outras áreas. Dos R$ 3,29 bilhões contingenciados até o quinto bimestre de 2025, cerca de 91% tiveram como finalidade absorver o déficit das estatais. O TCU afirma que a medida "impôs restrições orçamentárias a órgãos responsáveis por políticas públicas, exigindo replanejamento forçado e afetando a continuidade de programas governamentais." Em linguagem direta: o governo cortou políticas públicas para cobrir o rombo das estatais que deveria supervisionar.


Aproximadamente 95% do déficit de 2025 ficou concentrado em quatro empresas: Emgepron, Correios, Emgea e Infraero, que juntas responderam por R$ 4,9 bilhões de déficit primário. No caso dos Correios, o TCU classificou a situação como a mais preocupante, apontando risco de insolvência — isto numa empresa que acabou de fechar contrato de R$ 2,3 bilhões com o Banco do Brasil e que, mesmo com empréstimo de R$ 12 bilhões do Tesouro, acumulou prejuízo de R$ 8,5 bilhões em 2025 e R$ 3,1 bilhões só no primeiro trimestre de 2026.


O TCU também atribuiu parte da deterioração a "deficiência sistêmica na supervisão ministerial", o que impediu a adoção de medidas preventivas. O parecer foi aprovado com ressalvas em junho e seguirá ao Congresso para julgamento definitivo das contas presidenciais. O governo respondeu que "mantém diálogo permanente com o TCU", uma resposta que não explica por que as mesmas estatais que eram superavitárias até 2022 acumulam agora quase R$ 20 bilhões em déficit sob sua gestão.



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