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Boletim Focus: inflação volta a subir em 2027

Brasil enfrenta estagnação prolongada e juros seguem travados em patamar elevado até o fim da década



O Relatório Focus resume as estatísticas calculadas considerando as expectativas de mercado coletadas até a sexta-feira anterior à sua divulgação. Ele é divulgado toda segunda-feira. O relatório traz a evolução gráfica e o comportamento semanal das projeções para índices de preços, atividade econômica, câmbio, taxa Selic, entre outros indicadores. As projeções são do mercado, não do Banco Central. (Fonte: bcb.gov.br)

INFLAÇÃO


O processo de desinflação segue perdendo tração. O IPCA de 2026 permaneceu em 5,02% pela segunda semana consecutiva — um platô que expõe a dificuldade de o mercado enxergar uma queda mais consistente. Para 2027, o quadro piorou: a estimativa subiu de 4,24% para 4,25%, reforçando o sinal de que o alívio nos preços não deve avançar no médio prazo. Para 2028, a projeção segue paralisada em 3,80% pela quarta semana seguida, e para 2029 permanece em 3,50% há 51 semanas, congelamento que não deixa margem para otimismo.


O IGP-M também segue instável, ainda que com recuo pontual: a projeção para 2026 caiu de 4,71% para 4,55%. Para 2027, a estimativa recuou de 4,10% para 4,09%, terceira semana seguida de queda. Para 2028, a previsão diminuiu de 3,93% para 3,92%, e para 2029 caiu de 3,85% para 3,83% — números que, apesar do recuo, ainda mantêm o índice em patamar elevado.


Os preços administrados mostram o quadro mais preocupante da semana. A projeção para 2026 caiu de 4,70% para 4,69%, e para 2027 recuou de 3,87% para 3,86%. Mas a "melhora" se interrompe em 2028: a estimativa subiu de 3,56% para 3,60%, segunda semana seguida de alta, sinalizando que tarifas e itens regulados devem voltar a pesar no orçamento das famílias. Para 2029, a projeção segue travada em 3,50% pela 58ª semana consecutiva.


PIB


O crescimento da economia segue decepcionando logo na largada do período. A projeção para 2026 caiu de 1,98% para 1,95%, reforçando o cenário de atividade fraca já no curto prazo. Para 2027, a estimativa permaneceu em 1,50%, patamar considerado extremamente baixo para . Para 2028, houve alta de 1,89% para 1,98% — recuperação pontual que ainda não é suficiente para romper o teto histórico da série. Para 2029, a mediana segue em 2%, nível mantido há 75 semanas sem qualquer sinal de ruptura para cima.


CÂMBIO


O dólar segue caro e com viés de piora no horizonte mais distante. A projeção para o fim de 2026 permaneceu em R$ 5,20 pela 10ª semana consecutiva. Para 2027, porém, o cenário piorou: a estimativa subiu de R$ 5,29 para R$ 5,30. Para 2028, a previsão segue em R$ 5,30 pela quinta semana seguida, e para 2029 o mercado manteve a estimativa em R$ 5,36 — patamar que confirma a moeda brasileira persistentemente desvalorizada até o fim da década.


SELIC


Os juros seguem em nível elevado, sem qualquer sinal de alívio mais rápido para o crédito no país. A projeção para 2026 permaneceu em 13,75% ao ano pela terceira semana consecutiva, após o recuo de 14% registrado anteriormente. Para 2027, a estimativa segue travada em 12% há dez semanas. Para 2028, a previsão permanece em 10,50% pela oitava semana seguida, e para 2029 a estimativa segue em 10% ao ano pela 16ª semana consecutiva — um retrato de que o custo do dinheiro deve continuar penalizando famílias e empresas por vários anos ainda.



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