Boletim Focus: Mercado piora projeções e reforça sinais de desaceleração econômica
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Estimativas para crescimento e câmbio pioram, enquanto quedas na inflação e nos juros não afastam o cenário de estagnação prolongada da economia brasileira

O Relatório Focus resume as estatísticas calculadas considerando as expectativas de mercado coletadas até a sexta-feira anterior à sua divulgação. Ele é divulgado toda segunda-feira. O relatório traz a evolução gráfica e o comportamento semanal das projeções para índices de preços, atividade econômica, câmbio, taxa Selic, entre outros indicadores. As projeções são do mercado, não do Banco Central. (Fonte: bcb.gov.br)
INFLAÇÃO
Apesar da frágil trajetória de queda, a inflação segue acima do teto da meta. O ritmo lento e a persistência dos preços administrados indicam que o alívio ainda está longe de se consolidar. A projeção do IPCA para 2026 recuou de 5,12% para 5,03%, quinta semana seguida de revisão para baixo — um movimento arrastado que expõe a dificuldade do mercado em enxergar uma convergência mais rápida. Para 2027, a estimativa segue travada em 4,22%, sem mudança na comparação semanal, e para 2028 a previsão também permanece estacionada em 3,80%.
O IGP-M também recua, com a projeção para 2026 caindo de 5,42% (tanto na leitura de quatro semanas atrás quanto na semana anterior) para 4,54% — quinta semana consecutiva de queda. Ainda assim, para 2027 a expectativa permanece estagnada em 4,16%, e para 2028 segue em 3,97%, sinal de que a acomodação de preços não deve se aprofundar nos próximos anos.
Já os preços administrados, item sensível ao bolso do consumidor, mostram resistência: a projeção para 2026 caiu de 5% para 4,93%, mas para 2027 segue em 3,90%, estável, e para 2028 a estimativa piorou, subindo de 3,50% para 3,56% — um indicativo de que tarifas e itens regulados devem voltar a pressionar a inflação mais à frente.
PIB
O crescimento da economia segue perdendo fôlego. A expectativa para 2026 permanece em 1,99%. A expectativa para 2027 caiu de 1,60% para 1,57%, segunda semana seguida de revisão para baixo, reforçando o diagnóstico de uma atividade econômica cada vez mais fraca no curto prazo. Para 2028 e 2029 a estimativa fica congelada em 2% , evidenciando a falta de perspectiva de um crescimento mais substancial no horizonte.
CÂMBIO
O dólar segue pressionado e sem sinais de trégua duradoura. A projeção para 2026 permanece em R$ 5,20. Para 2027, a estimativa recuou ligeiramente de R$ 5,29 para R$ 5,28. Já para 2028, a previsão segue estável em R$ 5,30 há duas semanas — mas o alívio é passageiro: para 2029 a projeção voltou a subir, de R$ 5,37 para R$ 5,39, sinalizando que a desvalorização da moeda brasileira deve se intensificar no médio prazo.
SELIC
Mesmo com a queda na projeção da Selic para 2026, de 14% para 13,75% ao ano, o custo do crédito no Brasil deve continuar elevado por um longo período. Para 2027, a expectativa permanece travada em 12% ao ano há sete semanas, e para 2028 a projeção segue em 10,50%, sem alteração há cinco semanas — números que mostram um processo de afrouxamento monetário lento e distante de patamares que estimulem a atividade econômica.




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