Copom mantém Selic em 13,75% e interrompe série de 5 cortes, citando incertezas, inflação acima do teto da meta e deterioração das expectativas
Em decisão unânime, o Banco Central diz que o cenário exige “serenidade e cautela”

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve nesta quarta-feira (4) a taxa básica de juros, a Selic, em 13,75% ao ano. A decisão foi unânime e interrompe uma sequência de cinco cortes consecutivos.
No comunicado, o colegiado deixou os próximos passos em aberto e justificou a pausa pelo aumento das incertezas. “O contexto atual, caracterizado por taxa Selic substancialmente contracionista, aumento significativo das incertezas em torno do cenário base, expectativas de inflação mais elevadas, e desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada, apresenta um cenário desafiador para a política monetária, demandando serenidade e cautela na sua condução”, afirmou o Copom. O comitê disse que seguirá acompanhando o cenário para “manter a restrição adequada” e assegurar a convergência da inflação à meta.
No diagnóstico doméstico, o BC aponta moderação mais acentuada da atividade, principalmente nos setores mais cíclicos. A inflação cheia e a média das medidas subjacentes aceleraram nas divulgações mais recentes e permanecem acima do limite superior do intervalo de tolerância da meta.
As expectativas, por sua vez, continuam se deteriorando. As projeções do boletim Focus para a inflação de 2026 e 2027 se afastaram ainda mais da meta desde a última reunião, chegando a 5,2% e 4,8%, respectivamente. A projeção do próprio Copom para o segundo trimestre de 2028, atual horizonte relevante da política monetária, subiu para 3,5% no cenário de referência, já incorporando os choques de oferta ocorridos desde o encontro anterior. O comitê lembra que essa estimativa usa a trajetória da Selic extraída do Focus. Os riscos para a inflação seguem acima do usual, com viés de alta.
Entre os fatores de alta, o Copom citou a desancoragem prolongada das expectativas, com possíveis efeitos de segunda ordem de choques de petróleo e de clima sobre a agricultura e a energia; uma inflação de serviços mais resistente do que o previsto; uma combinação de políticas internas e externas com impacto inflacionário maior que o esperado; e estímulos à demanda, em particular ao consumo, que levem o crescimento acima do potencial e enfraqueçam parte dos canais de transmissão da política monetária. Do lado da baixa, o BC lista uma desaceleração doméstica mais intensa do que a projetada, um enfraquecimento global mais forte, provocado por choques de comércio e de petróleo, e uma queda dos preços das commodities.
O ambiente externo também pesou. Segundo o comunicado, o prolongamento dos conflitos armados no Oriente Médio elevou o preço do petróleo e de seus derivados, e a política monetária mais restritiva nas economias avançadas exige cautela dos emergentes, mais sensíveis a oscilações cambiais e a fluxos de capital em um período de maior volatilidade.
O Copom voltou a ressaltar o peso da política fiscal na condução dos juros. O colegiado diz acompanhar com atenção como o quadro fiscal doméstico afeta a política monetária e os ativos financeiros, e reforça a postura de cautela diante da maior incerteza. O comitê considera que os indicadores atuais de atividade são consistentes com uma trajetória de desaceleração no acumulado de 2026 e monitora a desancoragem das expectativas em prazos mais longos, que eleva o custo da desinflação.
Votaram pela manutenção o presidente Gabriel Muricca Galípolo e os diretores Ailton de Aquino Santos, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti e Rodrigo Alves Teixeira.





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