Governo Lula acumula déficit primário de R$ 93 bilhões no primeiro semestre
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Déficit nominal chega a R$ 624 bilhões com juros

As contas públicas registraram déficit primário de R$ 92,98 bilhões entre janeiro e junho de 2026, segundo o Relatório Resumido da Execução Orçamentária divulgado na quarta-feira (29) pela Secretaria do Tesouro Nacional. Quando incluídos os encargos financeiros com o pagamento da dívida, o déficit nominal alcançou R$ 624,1 bilhões no primeiro semestre, um número que evidencia o peso dos juros sobre as contas da União num cenário de Selic a 14,25% ao ano e dívida pública federal que atingiu R$ 9,268 trilhões em junho.
A arrecadação federal atingiu R$ 2,94 trilhões no semestre, equivalente a 46,41% da previsão atualizada para o ano, com R$ 1,61 trilhão em receitas correntes como impostos e contribuições e R$ 404,4 bilhões em receitas de capital, principalmente operações de crédito. Do lado das despesas, o governo empenhou R$ 3,94 trilhões no período, com despesas liquidadas totalizando R$ 2,07 trilhões.
A Previdência Social é o principal vetor de pressão sobre as contas. O Regime Geral da Previdência Social acumulou déficit de R$ 235,4 bilhões no semestre, com receitas de R$ 365,5 bilhões e despesas de R$ 600,9 bilhões. O resultado negativo se aprofunda quando incluídos os regimes dos servidores públicos civis, com déficit de R$ 32,9 bilhões, e o sistema de proteção social dos militares, com saldo negativo de R$ 28,4 bilhões. Somados, os três regimes previdenciários acumularam rombo de quase R$ 297 bilhões apenas no primeiro semestre.
Os números do primeiro semestre confirmam o padrão que o TCU havia anunciado nesta semana: um governo que arrecada em níveis recordes mas gasta sistematicamente mais do que recebe. Com déficit primário de R$ 93 bilhões no semestre e déficit nominal de R$ 624 bilhões incluindo os juros, o governo Lula entrega ao segundo semestre de 2026 um cenário fiscal que o FMI projeta levar a dívida bruta de 94,3% do PIB atual para 105,5% do PIB nos próximos quatro anos.
